Maguila x Quebra-Ossos: 30 anos



 

Domingo, 9 de agosto de 1987. Eu trabalhava como rádio-escuta na Jovem Pan. Logo que cheguei para trabalhar, às 13h30, disse para Milton Neves, meu chefe. “Eu tenho de sair mais cedo. Vou ver a luta do Maguila, no ginásio do Ibirapuera.”

Com o final dos jogos de futebol, saí correndo pela rua Joaquim Eugênio de Lima, quando me dei conta de que não tinha dinheiro para pegar o ônibus. Segui como um louco pelas ruas até chegar ao local de um dos combates mais importantes da nobre arte brasileira.

Adilson Maguila Rodrigues, 13º no ranking do Conselho Mundial de Boxe, iria enfrentar James Quebra-Ossos Smith, o cara que cinco meses antes havia ficado em pé diante do demolidor Mike Tyson e até chegou a abalar o campeão mundial dos pesos pesados no 12º round.

Maguila vinha de vitórias importantes em revanches contra o argentino Walter Daniel Falconi e o holandês Andre Van Den Oetellar, além da conquista do cinturão das Américas sobre Rocky Sekorski.

Quando cheguei no Ibirapuera, os portões estavam fechados e uma multidão estava do lado de fora. Eu tinha o ingresso na mão, passei por todas as entradas do ginásio. Consegui entrar na arquibancada e ficar em pé na escada, perto de uma das saídas. Dizem que o público passou das 18 mil pessoas.

O clima era de final de campeonato de futebol. “Maguila, Maguila” gritei por mais de mil vezes. Os dez rounds foram um tormento. O apelido Quebra-Ossos do norte-americano, formado em Administração de Empresas, não era por menos.

Treinado por Miguel de Oliveira, Maguila estava em forma, afinal precisaria se movimentar os 30 minutos de luta para não ser um alvo fácil. E foi o que ele fez.

Smith partiu para o ataque no início. Mal preparado fisicamente, o ex-campeão mundial não achou o brasileiro, recebeu alguns golpes e diminuiu o ritmo.

Maguila manteve o tempo todo sua tática de luta. Toda vez que Smith se aproximava, era recepcionado por diretos e cruzados. O ginásio inteiro gritava: “Gira Maguila, gira!” O aviso era para o forte sergipano se movimentar o tempo todo.

O desespero tomou conta de Quebra-Ossos, que nos últimos rounds partiu para cima e até aplicou alguns golpes irregulares na nuca.

Fim de luta e a decisão havia ficado para os três jurados. O cantor Francisco Egydio, apresentador da luta, anunciou que a pontuação do primeiro jurado, Alexandre Dib: 100 a 91, Smith.

“Esse cara está louco”, pensei. Como torcedor, Maguila havia ganho. Como jornalista, com um mês de experiência, sabia que o resultado seria muito apertado e pelo fato de a luta ser no Brasil…

O segundo jurado,  Delcio Gava : 98 a 97, Maguila. “Eeeeeeeeeee…”, explodiu o Ibirapuera. Faltava a análise de Paulo Laguna. “96, Smith….. 98…… Maguila,” E o Ibirapuera ouviu um grito único como se fosse um gol no Pacaembu.

Maguila obtinha sua vitória mais importante em 17 anos de boxe profissional e colocava seu nome na lista dos maiores ídolos do esporte brasileiro em todos os tempos.

Eu fui para casa a pé. Cheguei suado e todo dolorido. Mas valeu a pena.

Obrigado, Maguila.



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