Arum pagou, mas usou e abusou de Pacquiao



 

A lenda que envolve o nome de Manny Pacquiao no boxe poderia ser ainda maior se alguns cuidados fossem tomados durante a carreira. O empresário Bob Arum tornou o pequeno filipino em um astro internacional, mas não teve escrúpulos para colocá-lo diante de obstáculos praticamente intransponíveis.

Pacquiao subiu pela primeira vez em um ringue para uma luta profissional em 22 de janeiro de 1995, com 16 anos, em Sablayan, uma ilha de pouco mais de 2 mil quilômetros quadrados e 80 mil habitantes, nas Filipinas.

Abaixo dos 50,802 quilos previstos para a categoria dos moscas, Emmanuel Dapidran Pacquiao obteve seu primeiro triunfo, ao bater Edmundo Enting Ignacio após quatro roundes.

As vitórias e os títulos mundiais dos moscas e dos supergalos o levaram para os Estados Unidos em 2001. Posteriormente um contrato com a Top Rank, de Bob Arum, que logo viu no simpático pugilista a possibilidade de torná-lo em mais uma “galinha dos ovos de ouro”.

Como sempre acontece no boxe, o lutador que faz sucesso, com o passar do tempo e o aumento de peso, é seduzido a buscar desafios em outras categorias. Foi assim com Sugar Ray Leonard, Roberto Duran, Julio Cesar Chavez e até com Eder Jofre. Com Pacquiao não foi diferente.

Mas todo ser humano tem um limite. E a categoria dos meio-médios-ligeiros (140 libras ou 63,503 quilos) era o máximo para que Pacquiao pudesse desenvolver o seu melhor boxe.

Sem se preocupar com a integridade física de seu principal atleta, Arum elevou Pacquiao a meio-médio, o que lhe trouxe centenas de milhões de dólares na conta bancária, principalmente com o combate com Floyd Mayweather, mas também uma incapacidade de derrubar seus adversários.

Pegador terrível como superpena, leve, meio-médio-ligeiro, Pacquiao acumulou duelos sensacionais com Marco Antonio Barrera, Erik Morales e Juan Manuel Marquez que lhe valeram o apelido de “Assassino de Mexicanos”.

Mas a ganância de Arum entregou Pacquiao diante de duelos perigosos. Muitos foram superados pelo baixinho bom de briga, mas todos deixaram sequelas que agora, aos 38 anos, mostram que o fim da carreira seria uma atitude mais correta.

A vitória sobre o grandalhão Antonio Margarito, em 2010, foi espetacular, mas com certeza tirou alguns anos de Pacquiao em cima dos ringues. Pacman entre os meio-médios precisava dos 12 roundes para vencer, o que desgastou demais no momento final de sua carreira.

Melhor nos últimos anos teria sido encarar Terence Crawford, Adrien Broner, Lucas Matthysse e Ruslan Provodnikov. Todos meio-médios-ligeiros.

Apesar de o resultado com Jeff Horn, no último dia 1º, ter sido injusto, ficou claro que a presença de Pacquiao em um ringue começa a se tornar perigosa para sua saúde. Pacquiao não tem mais velocidade, raciocínio, preparo físico para impor seu estilo agressivo.

Arum até já mudou de lado e considerou as papeletas dos jurados corretas a favor de Horn. O esperto empresário deslumbra mais uma “superluta” na Austrália. Para Pacquiao, talvez, um encontro com Crawford. E o filipino seria usado e abusado como “escada”.

O mundo do boxe é cruel.

 

 



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