Você aceitaria seu time do NBB virando um laboratório da NBA?



As regras da NBA permitem que cada franquia tenha apenas 15 jogadores no plantel, sendo que é possível relacionar somente 13 para os jogos. Além disso, a cada temporada, 60 novos atletas ingressam na liga profissional americana via Draft – salvo trocas, dois para cada equipe. Para ajudar a combater possíveis inchaços, existe o stash, prática em que um time seleciona um prospecto no recrutamento de calouros e mantém os direitos sobre ele, mas o deixa jogando em outro país – geralmente na Europa – para se desenvolver enquanto aguarda uma chance nos Estados Unidos.

O armador brasileiro Raulzinho é um exemplo da prática. Foi selecionado pelo Atlanta Hawks na 47ª escolha do Draft de 2013 e, em seguida, teve seus direitos trocados para o Utah Jazz. Desde então, vem atuando na Espanha – jogou pelo Gipuzkoa Basket na temporada 2013/2014 e pelo UCAM Murcia na temporada 2014/2015 – à espera de uma chance da NBA.

Porém, como a maioria dos jogadores stashados é de origem européia, é natural que as franquias da NBA os enviem para clubes do Velho Continente de olho em sua evolução. Por isso, eu pergunto: você aceitaria que seu time de coração do NBB se tornasse um laboratório de desenvolvimento para prospectos da liga profissional americana?

Hoje, pelo que pesquisei, existem somente três jogadores sul-americanos stashados. Raulzinho já jogava na Europa quando draftado e, por isso, é normal que siga seu plano de desenvolvimento no continente. Os outros dois não parecem mais estar nos planos da NBA: o ala-pivô argentino Federico Kammericks, que atuou pelo Unión de Goya na última temporada, tem seus direitos ligados ao Portland TrailBlazers, mas já tem 35 anos de idade. E o pivô brasileiro Paulão, que defendeu o Mogi na última temporada, tem seus direitos ligados ao Minnesota Timberwolves, mas fica difícil imaginá-lo nos Estados Unidos por conta de seus problemas para manter-se em forma.

Por isso, aproveitando-se da recém firmada parceria entre a NBA e o NBB, seria absurdo imaginar um clube brasileiro oferecendo um projeto de desenvolvimento de prospectos sul-americanos para as franquias dos Estados Unidos? Nesse ano, por exemplo, está inscrito no Draft o ala argentino Juan Pablo Vaulet, de apenas 19 anos de idade. Existe o rumor de que o San Antonio Spurs prometeu selecioná-lo, mas fica difícil imaginar que ele possa contribuir imediatamente na liga profissional americana. Então, porque não, desenvolvê-lo no Brasil enquanto isso?

Esse mesmo clube também pode passar a priorizar jogadores que já estiveram em algum momento no radar da NBA, como o pivô brasileiro Fab Melo. Sua comissão técnica teria membros focados exclusivamente no desenvolvimento de jogadores – quem sabe até mesmo formados nos Estados Unidos e indicados por profissionais de lá. Caso o projeto obtivesse sucesso, aos poucos poderia ser possível expandir a ideia para prospectos latino-americanos no geral, como o pivô portorriquenho Ricky Sánchez, que desde este ano joga no Cangrejeros de Santurce, de seu país, e tem os direitos presos ao Miami Heat. E, porque não, passaria a ser possível sonhar com o recebimento de americanos – a citada franquia da Flórida deixou o ala James Ennis jogando uma temporada na Austrália antes de aproveitá-lo. Porque não no Brasil?

E o que o time do NBB ganharia com isso? Fica difícil imaginar uma potência como Brasília e Flamengo embarcando em um projeto desse tipo, claro. Mas a facilidade em receber reforços desse nível pode ser uma boa, por exemplo, para times como o Palmeiras, que tem dificuldades financeiras para se manter. Além disso, o conhecimento adquirido no desenvolvimento de jogadores seria excelente para um clube com base forte como o Verdão.

Seria possível embarcar em uma dessas?



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