Tavernari conta como é a relação dos jogadores com os números



O universo estatístico tem recebido atenção cada vez maior na NBA. Nomes como Erik Spoelstra, treinador do Miami Heat, e Daryl Morey, gerente geral do Houston Rockets, têm formação voltada para o mundo dos números. A era analítica parece estar cada vez mais próxima da liga profissional americana de basquete. Mas como os jogadores reagem a isso?

Aqui no Brasil, existem jogadores que também têm simpatia pelas estatísticas. Um deles é Jonathan Tavernari, ala do Pinheiros. Até aqui, na temporada do NBB, o jogador tem médias de 7,1 pontos, acertando 35,9% dos arremessos de três pontos que faz, e 5,3 rebotes em 20,8 minutos por partida. Além disso, com ele em quadra, a equipe paulista sofre 110,2 pontos a cada 100 posses de bola do adversário, melhor índice entre todos os jogadores de perímetro do elenco.

Tavernari (À esquerda) se destaca pela defesa de perímetro (Foto: Wander Roberto/Inovafoto)

Tavernari (À esquerda) se destaca pela defesa de perímetro (Foto: Wander Roberto/Inovafoto)

Tavernari, que teve uma formação “americana” no basquete, já que atuou no basquete universitário dos Estados Unidos, mostra estar atento aos seus números. Além disso, após passagem pela Itália, ele também é capaz de identificar diferenças nas culturas estatísticas dos diferentes países.

E MAIS: Estatístico que veio ao Brasil mistura fé e números na NBA

Além disso, ele mostra como um jogador reage ao ver suas médias. Confira a seguir, na entrevista exclusiva concedida pelo ala ao blog:

LANCE!Net: Para você, formado em uma escola americana de basquete, como é a visão das estatísticas? Você acha que é algo importante, relevante, ou considera algo chato para um jogador se preocupar?

Tavernari: Eu pessoalmente acho os números muito importantes. Nos Estados Unidos, tem um ditado que diz “Homens mentem. Mulheres mentem. Mas os números não mentem”. Em 90% dos jogos, se não mais, tem como ver a retrospectiva do duelo nos números: erros, assistências, percentual de acertos e erros, rebotes… tudo isso conta a história do jogo. Eu acho super importante. Para mim, erros, assistências, rebotes e percentual de arremessos são fundamentais para saber o rendimento da nossa equipe.

LANCE!Net: Como eram os departamentos estatísticos de seus times na Universidade, na Europa e aqui no Brasil? Você poderia descrever o dia a dia deles e o contato com os jogadores? Os números são passados coletivamente ou individualmente?

Tavernari: Na verdade, as equipes têm quem faz um relatório mais simples, com faltas de ambos os times, às vezes rebotes de ataque do adversário, erros, quais jogadas dão certo… Como tem a estatística da liga, não é preciso tanta precisão em todos os aspectos. No colegial, quase não tinha números oficiais. Na universidade, pelo menos no meu time, só o técnico e o primeiro assistente não marcavam alguma coisa. O segundo e o terceiro assistentes e o coordenador de vídeo marcavam tudo possível e imaginável. Na Itália, tinha um cara cuja função era os números. Então, ele se preocupava com faltas, rebotes de ataque, erros e jogadas efetivas, e o assistente e o técnico ficavam no jogo. Dependendo da situação, se é uma situação de falta de atenção coletiva, todos ouvem os números. Porém, se é um problema individual, aí o técnico chama mais para o lado e conversa.

LANCE!Net: Quais são as estatísticas que você mais se preocupa, individualmente? Imagino que o aproveitamento nos arremessos de três seja fundamental para você.

Tavernari: Isso é verdade. Minha força maior ofensivamente é meu arremesso, então sei que minha efetividade é importante para o time. Mas é nos rebotes que eu mais vejo meus números. Para o nosso time manter o alto nível, eu sei que tenho que ajudar no rebote, e durante uma partida, se eu não estou indo bem nos chutes de 3, indo ao rebote me ajuda a achar meu ritmo.

LANCE!Net: Você costuma analisar suas estatísticas individuais entre as partidas? E durante as partidas, quando está no banco ou no intervalo? E as dos adversários?

Tavernari: Durante o jogo é difícil eu perguntar algo individual. Quando tem alguma coisa negativa, o assistente fala para a gente: rebote ofensivo do adversário, erros, falta de aproveitamento… Durante o intervalo é que o técnico menciona mais nossas qualidades ou defeitos no jogo até ali.

LANCE!Net: Na NBA, treinadores e dirigentes de culturas estatísticas, como o Erik Spoelstra, do Miami Heat, e o Daryl Morey, do Houston Rockets, estão cada vez mais tomando conta da liga. Qual sua visão sobre o tema? Você acha benéfico para o basquete?

Tavernari: Como disse, números contam a história de mais ou menos 90% dos jogos. Por isso, são uma peça importante do esporte. Você citou o Miami Heat; veja só como está o rendimento deles desde a chegada do Spoelstra. Três finais de NBA seguidas e dois títulos. Veja o San Antonio Spurs: a análise deles vai além do desempenho. Minutos jogados, tempo descansado.. Hoje em dia tem como medir e mensurar tudo numericamente. E qualquer vantagem existente para ter um melhor rendimento deve ser usado.



MaisRecentes

Jogo das Estrelas e as opções da Seleção



Continue Lendo

Dawn Staley e o Dia Internacional da Mulher



Continue Lendo

Marcelinho Huertas e o azar na NBA



Continue Lendo