Sorte ajudou o Brasil na rodada. Só faltou jogar



A vitória do México sobre a República Dominicana, na abertura da rodada desta segunda-feira, teria sido ótima para o Brasil. O que de melhor poderia acontecer para a Seleção. Com isso, a equipe comandada por Rubén Magnano poderia ir para a segunda fase com campanha superior à dos encardidos caribenhos, mas ainda em situação delicada – precisando superar, entre outros adversários, os surpreendentes mexicanos, que venceram seus três compromissos até aqui.

Reserva? Hettsheimeir vai fazer falta (Foto: Divulgação/Fiba Americas)

Reserva? Hettsheimeir vai fazer falta (Foto: Divulgação/Fiba Americas)

Brasil e México se enfrentaram três vezes na preparação. No dia 04/08, a Seleção venceu por 94 a 68 na final do Super Four de Salta, com 17 pontos e quatro assistências de Guilherme Giovannoni, 17 pontos e três assistências de Vitor Benite e 14 pontos e oito rebotes de Rafael Hettsheimeir. No dia 10/08, vitória por 88 a 81 na estreia do Super Four de Anápolis, com 19 pontos e dez rebotes de Caio Torres, 14 pontos de Arthur e 10 pontos e sete rebotes de Cristiano Felício. Por fim, no dia 13/08, vitória por 87 a 82 em amistoso disputado em São Paulo – aquele do problema com os uniformes -, com 19 pontos e quatro rebotes de Rafael Hettsheimeir e 18 pontos e cinco rebotes de Alex.

No entanto, nos três jogos o México não contou com Gustavo Ayón, o mais perigoso jogador da equipe. Nos seus três primeiros compromissos, o pivô, recentemente negociado com o Atlanta Hawks, apresentou médias de 17,3 pontos e 9,3 rebotes por exibição na Copa América, convertendo 61% de seus arremessos de quadra e 66,7% de seus lances livres.

Vencer o México é tarefa possível para o Brasil. Mas, para isso, a Seleção precisaria fazer com que Ayón mais seja atacado do que ataque. Nos três jogos de preparação, sempre ao menos um jogador de garrafão brasileiro conseguiu pelo menos 14 pontos. Fazê-lo suar na defesa e, quem sabe, carregá-lo com faltas seria fundamental. E do outro lado da quadra, como o pivô é um jogador mais pesado, os grandalhões do time verde e amarelo, que não têm a mobilidade como ponto forte, poderiam dar conta do recado com dedicação e ajuda do perímetro com dobras.

Até então, o Brasil, dentro de suas limitações, vinha se dando bem ao conter jogadores de garrafão mais pesados. Contra o Canadá, Andrew Nicholson – mais móvel – e Tristan Thompson – mais “plantado” próximo à cesta –, que combinam para 26,4 pontos por jogo até aqui no torneio, somaram “só” 20 apesar do atropelamento da seleção da América do Norte sobre a Seleção. Em compensação, o móvel, atlético e incansável deixou, sozinho, 24 na vitória de Porto Rico sobre o Brasil no primeiro dia da competição. Por isso, daria para sonhar com sucesso no duelo com Ayón.

Lindo, certo? Seria lindo. Se o Brasil não tivesse perdido hoje para o Uruguai, equipe nacional que considero inexpressiva no cenário internacional desde que acompanho a modalidade mais de perto. E a tendência no duelo contra pivôs mais lentos não se repetiu e o sempre eficiente Estebán Batista teve um dia de Tim Duncan ao deixar a quadra com 22 pontos e 13 rebotes e guiou seu selecionado à vitória por 79 a 73.

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Fez esses números principalmente sobre um Caio Torres que foi escalado como titular por Fernando Duró, que substituiu o suspenso Rubén Magnano, no lugar de Rafael Hettsheimeir. O agora titular anotou 12 pontos, cinco rebotes e inúmeras falhas de rotação defensivas, enquanto o agora reserva deixou a quadra com nove pontos, quatro rebotes e… uma contusão no tornozelo direito.

No perímetro, é possível compreender a entrada de Vitor Benite no lugar de Larry Taylor pelo desempenho que os dois vinham apresentando na Copa América. Não custa lembrar que o americano foi naturalizado para, em teoria, jogar 10 ou 15 minutos para Marcelinho Huertas descansar, e não 30 ou 40 ao lado do armador.

Mas assusta saber que o Brasil chega à sua terceira partida da Copa América sem uma rotação estabelecida – tanto que Larry e Hettsheimeir voltaram como titulares no terceiro período, o que reforça a tendência. O tempo era mais que suficiente para uma preparação digna do talento dessa Seleção, que, ainda que desfalcada, não deveria passar vergonha. Reflexo de alguns imprevistos, como o corte de última hora de Marquinhos, e de algumas situações confusas, como a manutenção de JP Batista, convocado às pressas na reta final, sobre Rafael Mineiro, convocado desde o início, junto com os pivôs da NBA que pediram dispensa.

Entre a noite de domingo e a rodada de segunda-feira, sobrou sorte para a Seleção. Pena que faltem padrão tático, defesa e, graças a tudo isso, resultados.



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