Porto Rico escancara (mais um) defeito da Seleção Brasileira



Quem diria que Porto Rico, que vinha causando tantos problemas para a Seleção Brasileira antes da chegada de Rubén Magnano com os baixinhos Carlos Arroyo e JJ Barea, iria expor tanto a falta de profundidade do garrafão da atual equipe do treinador argentino? Neste domingo, na derrota dos sul-americanos por 84 81, em jogo válido pela penúltima rodada da Copa Tuto Marchand, a atuação de Renaldo Balkman serviu para acender (mais um) alerta para o time verde e amarelo.

Balkman escancarou os problemas do Brasil (Foto: Samuel Vélez/FIBA Américas)

Balkman escancarou os problemas do Brasil (Foto: Samuel Vélez/FIBA Américas)

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Magnano escolheu testar Guilherme Giovannoni (oito pontos e dois rebotes) na função de sexto homem em um dia de matchup pouco favorável. Porto Rico escalou, como titulares do garrafão, Renaldo Balkman, que chegou a atuar na posição três enquanto estava na NBA, e Ricardo Sánchez, que, apesar de teoricamente ser o pivô do time, jogou aberto, tentando seus tiros do perímetro. Enquanto isso, o Brasil começou a partida com Rafael Hettsheimeir (três pontos e seis rebotes) e Caio Torres (11 pontos e três rebotes) como titulares.

Resultado: o Brasil teve enorme dificuldade para acompanhar a dupla adversária na base da velocidade e do drible – especialmente Balkman, que terminou a partida com monstruosos 24 pontos e 15 rebotes. Os pesados pivôs brasileiros tinham problemas quanto tentavam acompanhar os portorriquenhos até mesmo na coleta de ressaltos – os centro-americanos coletaram cinco ofensivos.

Qualquer dupla de garrafão brasileira que nao tinha Giovannoni em quadra teve de lidar com o problema defensivo. Rafael Hettsheimeir, Caio Torres e JP Batista (nove pontos e nove rebotes) não são velozes o bastante para marcar esse tipo de jogador. E Cristiano Felício, o caçula do grupo, é mais ágil e atlético, mas foi pouco aproveitado – ficou só 14 segundos em quadra.

Além disso, no ataque, a equipe de Magnano, mais uma vez, falhou ao acionar seus pivôs no poste baixo para compensar o problema. E nenhum deles possui jogo para exercer a função de um quatro aberto com naturalidade. Hettsheimeir tentou ser o dublê de Giovannoni no início do jogo, mas errou o único arremesso de três que tentou e anotou apenas uma assistência. E JP errou passes para Caio Torres quando tentou acionar o colega.

A falta de uma alternativa para a função de Giovannoni vinha sendo minimizada nos últimos torneios graças ao talento defensivo de Anderson Varejão, Tiago Splitter e Nenê e à velocidade, principalmente, dos dois últimos. Lucas Bebê também serviria para amenizar a carência.

Resta saber se o problema é crônico – ou seja, se vem da dificuldade do basquete brasileiro em formar alas-pivôs modernos – ou se é um erro na convocação de Magnano. Além da inexplicada ausência de Murilo – que, é bem verdade, não seria solução para o problema – e do estranho corte de Rafael Mineiro, que estava na lista original e foi dispensado em prol da manutenção de JP, convocado às pressas, me pergunto se jogadores como Lucas Cipolini, Luis Gruber e Marcus Toledo não teriam vaga nesse grupo. O último, inclusive, seria opção para o lugar de Marquinhos na posiçao 3.

Também questiono, vendo uma seleção com problemas na defesa e que não aciona seus pivôs no poste baixo, se Fab Melo não merecia ao menos ser testado, figurando na lista original.

Entre os dias 30 de agosto e 11 de setembro, o Brasil disputará, na Venezuela, a Copa América, que dará quatro vagas para a Copa do Mundo do ano que vem. E a equipe nacional, vendo a atuação dos ágeis homens de garrafão portorriquenhos, certamente deve comemorar a ausência dos canadenses Anthony Bennett e Kelly Olynyk e dos dominicanos Al Horford e Charlie Villanueva, por exemplo, que ajudariam a explorar o problema.

Mas a defesa de garrafão é mais um ponto a ser trabalhado por Magnano – ainda mais às vésperas de um torneio que tem a República Dominicana de Jack Martínez, o Porto Rico de Renaldo Balkman, O Canadá de Tristan Thompson e a Argentina de Luis Scola, eterno algoz brasileiro. Afinal, o Brasil precisará ficar à frente de pelo menos um deles para se classificar para a Copa do Mundo.



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  • Fábio Carvalho

    Análise precisa. O Magnano não foi bem na convocação (nomes importantes – nem que para testes – foram ignorados, sendo, na minha opinião, o Cipolini e o Fab Melo os mais evidentes). Alguns fatos mostram isso. A maneira como o Scott Machado foi cortado, por exemplo. Parece que ele chegou em um dia, talvez tenha tido um treinamento pra valer, jogou muito mal uma partida, e foi cortado no dia seguinte. Enquanto isso, o Rafael Mineiro demorou, sei lá, dois meses para ser preterido pelo JP Batista, que foi chamado às pressas. Não conheço bem o Marcus Toledo, mas talvez o próprio Gui Deodato fosse uma opção a ser testada (pelo menos é atlético, algo que falta tanto ao Giovanoni quanto ao Artur – este último, por sinal, parece ser nosso único chutador consistente do perímetro, o que é preocupante).
    Magnano é excelente treinador e, de fato, não possui um grupo brilhante para trabalhar. No entanto, ele não soube usar bem as poucas cartas que tinha à disposição e tampouco ainda conseguiu implementar um padrão de jogo.
    Sofrimento à vista!

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