Por que o Utah Jazz mantém Raulzinho como titular?



Com Marcelinho Huertas sem espaço no Los Angeles Lakers, a ida de Raulzinho para a NBA poderia ser má notícia para a Seleção Brasileira, que correu o risco de ter seus dois principais armadores sem ritmo de jogo na temporada que antecede a Olimpíada do Rio de Janeiro. Mas, felizmente, não é o caso. Com média de 17,4 minutos por exibição, o jovem de 23 anos de idade disputou 27 partidas pelo Utah Jazz, sendo 26 como titular, e tem mostrado que a mudança para os Estados Unidos veio em boa hora.

Há de se considerar, porém, que a trajetória de Raulzinho no Jazz começou com um pouco de sorte. Isso porque, durante a preparação para Fiba Oceania, torneio classificatório pré-olímpico, o armador australiano Dante Exum, uma das principais apostas do futuro da franquia, se machucou. Isso certamente fez com que o brasileiro tivesse mais espaço em sua temporada de novato.

Assim, restou a Raulzinho a concorrência de Trey Burke. Selecionado pelo Jazz na nona escolha do Draft de 2013, o armador americano não conseguiu causar o impacto que se esperava dele e, após duas temporadas como profissional, foi perdendo cada vez mais espaço em Salt Lake City.

Porém, movido para o banco de reservas nesta temporada, Burke enfim dá sinais de que pode, sim, ser um jogador sólido na NBA. Suas médias a cada 36 minutos são de 17,4 pontos, 4,3 assistências e 3,3 rebotes, enquanto as de Raulzinho são de 10,9 pontos, 4,5 assistências e 3,1 rebotes. O que faz, então, o brasileiro ser mantido como titular?

A resposta está na visão de quadra de Raulzinho. Atuando como titular, o ex-jogador do Minas pode facilitar a vida dos pivôs Derrick Favors e Rudy Gobert, que têm dificuldades na criação de arremessos sem a ajuda de um armador. Além disso, a presença do brasileiro faz com que o ala Gordon Hayward tenha menor responsabilidade no comando do ataque, podendo usar sua inteligência seu atleticismo para se movimentar sem a bola.

Burke, então, é movido para a segunda unidade e passa a funcionar como um pontuador, com liberdade para atacar a cesta. Com ele em quadra, Hawyard assume as funções mais tradicionais da armação, como o comando do pick-and-roll com os pivôs.

A principal preocupação em relação à presença de Raulzinho na equipe titular é a defesa, já que na Espanha o armador não estava acostumado a marcar aberrações atléticas como Russell Westbrook. Entre todos os quintetos do Jazz que atuaram por pelo menos dez minutos na temporada, o brasileiro aparece em apenas três dos dez melhores defensivamente.

Ainda assim, se conseguir manter-se superior a Burke na criação de jogadas, Raulzinho tem tudo para terminar a temporada como titular.



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