Parceiro ou rival? D-League entra no mapa do basquete brasileiro



A NBA Development League, conhecida pelo “apelido” D-League, entrou na pauta do escritório da NBA no Brasil. No sábado, Arnon de Mello, diretor-executivo da base nacional da maior liga dos Estados Unidos, concedeu entrevista coletiva em Franca (SP), onde esteve para acompanhar o Jogo das Estrelas do novo parceiro NBB e da LBF e disse prever um aumento na dificuldade para trazer times da elite do basquete americano. Por isso, já começa a estudar alternativas.

Arnon afirmou que existe uma corrente entre os jogadores da NBA a favor da diminuição da pré-temporada, já que depois os atletas têm de enfrentar um calendário com 82 jogos na fase de classificação mais playoffs. Com menos partidas de preparação, é natural que as viagens para fora dos Estados Unidos também sofram redução. Com isso, a D-League entrou na pauta do escritório brasileiro.

A Liga de Desenvolvimento da NBA foi citada mais de uma vez por Arnon durante sua coletiva. A possibilidade de amistosos entre equipes da D-League e do NBB, seja nos Estados Unidos ou no Brasil, foi cogitada pelo dirigente.

Mas o que é a D-League? Defini-la como a segunda divisão do basquete americano seria impreciso, já que não existe rebaixamento ou promoção. Mas trata-se, sim, de um escalão inferior da modalidade no país, que funciona com regras muito específicas.

Hoje, a D-League conta com 18 equipes. 17 delas são filiadas com franquias da NBA, e a 18ª é filiada com os 13 times da elite que sobraram. Como funciona esse acordo? Um técnico da liga principal pode optar por mandar um jogador sob contrato, mas que não tem espaço em sua rotação, para ganhar ritmo e se desenvolver em sua parceira. É o caso, por exemplo, de Kyle Anderson, 30ª escolha do Draft de 2014 pelo San Antonio Spurs. Naturalmente, recebeu poucas chances ao ingressar no elenco que é o atual campeão da NBA: entrou em quadra em apenas 27 dos 62 jogos da equipe, apresentando médias de 2,6 pontos, 2,5 rebotes e uma assistência em 12,6 minutos por exibição. Porém, quando enviado para a D-League, mostrou que é uma boa aposta para o futuro, obtendo, em média, 22,2 pontos, 9,1 rebotes e 4,9 assistências em 40,9 minutos por partida em 19 jogos pelo Austin Spurs.

A mesma situação já foi vivida pelo brasileiro Bruno Cabloclo nesta temporada, sua primeira na NBA. Selecionado pelo Toronto Raptors na 20ª escolha do Draft de 2014 como projeto para o futuro da franquia, o ala naturalmente não ganhou tempo de quadra de cara e foi enviado algumas vezes para a D-League. Deu o azar de jogar em uma das 13 equipes que dividem a filiação com o Fort Wayne Mad Ant e, tendo de competir por espaço com prospectos bem menos crus, obteve médias de 3,4 pontos e 1,9 rebotes em apenas 8,9 minutos por exibição nos sete jogos que fez até aqui na Liga de Desenvolvimento.

Existe outra maneira de franquias usarem suas filiadas na D-League. Uma equipe da NBA pode escolher um jogador no Draft e deixá-lo atuando na Liga de Desenvolvimento por uma ou mais temporadas antes de assinar contrato com ele. São os casos, por exemplo, de Josh Huestis, selecionado na 29ª escolha do Draft de 2014 pelo Oklahoma City Thunder e que apresenta médias de 10,7 pontos e 5,9 rebotes em 33,3 minutos por exibição no Oklahoma City Blue, e de Thanasis Antetokounmpo, selecionado pelo New York Knicks na 51ª primeira escolha do Draft de 2014 e que apresenta médias de 14 pontos e 6,3 rebotes em 32 minutos por partida pelo Westchester Knicks.

Os elencos dos times da D-League são completados por jogadores que sonham com uma vaga na maior liga de basquete do país, e em sua maioria são jovens americanos. Porém, estes, que não têm relação nenhuma com franquias da NBA, podem assinar com qualquer uma a qualquer momento – não apenas com a filiada de sua equipe da Liga de Desenvolvimento.

Porém, além de futura parceira, a D-League também é vista como possível rival da para o basquete brasileiro. Isso porque Arnon afirmou que sonha com que jovens prospectos sejam mandados para o NBB ao invés de para a D-League por franquias da NBA. Mas como isso seria feito?

Segundo Arnon, o sistema de parcerias entre as franquias que funciona com NBA e D-League não passa de um sonho hoje para o NBB. Deste modo, os jogadores provavelmente seriam enviados para o Brasil antes de assinarem contrato com um time da liga americana de basquete, repetindo os casos de Huestis e Antetokounmpo.

Assim, seja como parceira e/ou rival, a D-League deve se fazer cada vez mais presente na pauta o basquete brasileiro.



  • Vinícius

    Muito bacana a reportagem, eu acompanho basquete há alguns anos e claro, sempre curto ler matérias sobre as ligas, seja NBA, NBB ou outras espalhadas pelo mundo.

    Sobre essa parceria/rivalidade, acredito que talvez seja mais prejudicial para o NBB mesmo, até porque o contrato da Liga aqui no Brasil com a NBA, a princípio, visa o crescimento e fortalecimento, daquilo que já vem sendo bem construído pelos nossos dirigentes e equipes, de ambas as partes. Sendo assim, esse negócio de colocar o NBB como intermediário entre a D-League e a NBA, como se fosse uma passagem transitória, pode enfraquecer o basquete nacional, e provavelmente, será uma forma da NBA superexplorar o campeonato brasileiro, sua organização, equipes, jogadores e nossos recursos financeiros também.

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