Magnano não pode ser bom só na hora boa – como 2014 deve ser



Enviado especial do LANCE!Net a Caracas (VEN), Fábio Aleixo já havia mostrado, em reportagem, que uma possível eliminação de Argentina ou Porto Rico na Copa América, disputada na cidade venezuelana, dificultaria a possibilidade de o Brasil ser convidado para a Copa do Mundo do ano que vem, que acontecerá na Espanha. Em outras palavras: as notícias que chegam para a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e a Seleção Brasileira neste domingo são as melhores possíveis. Isso porque os hermanos venceram o Canadá por 73 a 67 e carimbaram passaporte para o torneio mundial, ao lado de Porto Rico, República Dominicana e o surpreendente México.

Gracias, hermanos! (Marcelo Figueras/Fiba Americas)

Gracias, hermanos! (Marcelo Figueras/Fiba Americas)

Sem a sombra de argentinos e portorriquenhos, a chance de a Seleção receber um dos convites que a Federação Internacional de Basquete (Fiba) distribui para os que falham em se classificar na quadra aumenta. Apesar da pequena sombra de promissora geração canadense, o Brasil nunca ficou de fora de um Mundial e será sede das Olimpíadas de 2016. Estratégico.

Para a disputa da Copa do Mundo, Rubén Magnano, o treinador argentino da Seleção, deve ter uma boa oportunidade de se redimir da péssima campanha da equipe nacional em Caracas. Entre os desfalques “internacionais” que teve – Leandrinho, Vitor Faverani, Nenê, Anderson Varejão e Tiago Splitter, que vão jogar a próxima temporada na NBA, e Lucas Bebê, que vai jogar na Espanha antes de se mudar para a liga profissional americana – e o importante Marquinhos, também cortado por lesão, grande número de jogadores, se não a totalidade deles, deve voltar a estar à disposição para a competição, que tem muito mais apelo que a Copa América.

Essa é a chamada “hora boa” para o técnico. Com tantas opções interessantes, especialmente para o garrafão, Magnano já provou que pode levar essa Seleção à briga por resultados importantes. Por isso, não há dúvidas de que ele deve continuar no cargo. Mas a CBB deve, sim, cobrá-lo para que seu trabalho também renda frutos na “hora ruim”.

Quando teve um bom material humano à disposição – como na Copa América de 2011, torneio em que o Brasil garantiu classificação para a Olimpíada de 2012, e nos Jogos de Londres, quando a Seleção conquistou a quinta colocação – Magnano mostrou porque é considerado um treinador acima da média. Mas é preciso provar isso também quando encontra mais dificuldades para montar sua equipe.

A desastrosa campanha na Copa América deste ano não foi o primeiro torneio em que o argentino teve atuação abaixo da crítica. Depois de conquistar a vaga olímpica em 2011, o treinador comandou uma Seleção cheia de nomes consagrados no basquete brasileiro, como Nezinho, Arthur, Marcelinho Machado, Guilherme Giovannoni e Murilo nos jogos Pan-Americanos de Guadalajara. Os jovens Vitor Benite e Cristiano Felício, que estiveram com o Brasil em Caracas, também estavam presentes. O resultado? Um inexpressivo quinto lugar, atrás de Porto Rico, México, Estados Unidos e República Dominicana, sendo que apenas os campeões levaram sua equipe principal.

Por isso, é hora de colocar as mangas de fora e trabalhar. E daí se as opções serão vastas com os jogadores que atuam fora do Brasil? E se alguém se machucar? E se alguém tiver problemas particulares? E se alguém simplesmente não quiser disputar a Copa do Mundo? E se isso acontecer com mais de um jogador? Para não ser pego de surpresa, Magnano terá uma temporada inteira para prestar um pouco mais de atenção no NBB.

Assim, o treinador poderá observar de perto jogadores que estavam “escondidos” em ligas menores da Europa, como Jonathan Tavernari e Marcus Toledo, para ver se têm capacidade para defender a Seleção. Terá a chance de observar atentamente jovens alas como os alas Gui Deodato, Matheus Dalla e Léo Meindl, que atuam na posição que se mostrou carente com a ausência de Marquinhos. Vai poder escolher um reserva para Giovannoni, já que levou quatro pivôs mais pesados para Caracas: Guilherme Teichmann, Luis Gruber e Lucas Cipollini – que esteve com o técnico em Guadalajara em 2011 – aparecem como opções. E conseguirá estudar com carinho um possível retorno de Murilo – que também esteve com ele no México –, talvez o melhor pivô atuando em terras brasileiras.

Em 2014, caso tudo corra dentro do planejado – o Brasil dispute a Copa do Mundo, com seus principais jogadores à disposição – Magnano voltará a atuar na “hora boa”. Resta ao treinador fazer o seu trabalho e se preparar para não ser pego de surpresa se imprevistos o colocarem novamente diante de uma “hora ruim”.



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