Jogo das Estrelas escancara tendência tática na NBA



Anunciada na noite de quinta-feira, a lista de titulares do Jogo das Estrelas da NBA, escolhidos em votação popular, evidencia uma tendência cada vez mais relevante na liga: o foco no perímetro e a diminuição da importância do jogo de garrafão. Dos dez eleitos, nenhum é pivô ou ala-pivô de característica clássica.

Na Conferência Oeste, foram escolhidos Stephen Curry, do Golden State Warriors; Russell Westbrook e Kevin Durant, do Oklahoma City Thunder; Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers, e Kawhi Leonard, do San Antonio Spurs. Na Leste, foram eleitos Kyle Lowry, do Toronto Raptors; Dwyane Wade, do Miami Heat; Carmelo Anthony, do New York Knicks; LeBron James, do Cleveland Cavaliers; e Paul George, do Indiana Pacers.

Entre os dez titulares, o que mais se aproxima do garrafão é George, que desde o começo do ano joga como um falso ala-pivô no Pacers. Durant e Leonard também já exerceram a função em algum momento, e há quem defenda que esta é a posição ideal para Anthony, cada vez mais fixado como ala com a evolução do novato Kristaps Porzingis.

A escolha destes jogadores escancara o sucesso recente de um conceito ofensivo conhecido “small-ball”. Apostando na velocidade e nos arremessos de longe em detrimento do jogo interior, as equipes cada vez mais utilizam apenas um jogador de garrafão, que atua ao lado de um armador e de três alas.

Atual campeão e dono de uma campanha histórica nesta temporada, o Warriors é exemplo disso. Ao redor do armador Stephen Curry, astro da equipe, e do pivô Andrew Bogut, são escalados três alas: Klay Thompson, Harrison Barnes e Draymond Green. Todos podem converter arremessos da linha dos três, defendem várias posições e são capazes de manter o nível de movimentação intenso dos dois lados da quadra.

Green, por sinal, é uma das ausências mais sentidas na lista pela importância que tem. Selecionado na 35ª escolha do Draft de 2012, o ala era alvo de receio de especialistas, que diziam que ele poderia ser pesado demais para a posição 3 e fraco fisicamente para a 4. Hoje, no entanto, usa sua visão de jogo para ser o segundo mais relevante do melhor time da temporada.

Uma das formações mais eficientes do Warriors, por sinal, usa o ala reserva Andre Iguodala, sexto homem do time, no lugar de Bogut, deixando Green improvisado como pivô. Esse “exagero de small-ball” castiga os adversários com velocidade, arremessos de longe e trocas na defesa, já que, na ausência de pivôs, ninguém tem dificuldades de se afastar do garrafão.

É uma pena para os fãs de pivôs clássicos, mas o Jogo das Estrelas e o campeão estão aí para mostrar: é a vez do small-ball.



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