Contra o complexo de pavão pela vaga olímpica



Ter a chance de disputar uma Olimpíada em casa não pode ser desculpa para que se ignore os princípios de uma administração correta, sobretudo quando se trata de dinheiro público. É diante de uma questão moral dessa magnitude que se encontra a Confederação Brasileira de Basquete (CBB), que vê as classificações automáticas de suas seleções masculina e feminina, anfitriões dos Jogos do Rio-2016, ameaçadas por conta de uma dívida com a Federação Internacional de Basquete (Fiba) em um momento positivo para os homens dentro de quadra.

De acordo com o blog Bala na Cesta, o Ministério do Esporte assinou um convênio de R$ 7 milhões com a CBB, sendo que R$ 2,5 milhões são já para este ano. O valor é referente única e exclusivamente à preparação da Seleção masculina para a Olimpíada de 2016, sendo que, enquanto a dívida com a Fiba não for quitada, a participação do Brasil na competição segue em dúvida – teria de ser conseguida dentro de quadra via Copa América. Por isso, a disponibilização de uma quantia tão grande chama a atenção, especialmente por se tratar de dinheiro público.

Segundo Carlos Nunes, presidente da CBB, a dívida com a Fiba é de aproximadamente R$ 2,5 milhões. Pelo menos oficialmente, essa quantia não está embutida na verba do Ministério.

Os problemas vêm justamente após o ouro conquistado pelos meninos do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, sem a presença dos jogadores da NBA, de Marcelinho Huertas e de referências do basquete nacional, como Alex e Marquinhos. Na trajetória no Canadá, vitórias contra as competitivas equipes enviadas por Porto Rico, Estados Unidos, República Dominicana e pelos donos da casa e demonstração de um estilo de jogo moderno.

A questão é que, na Copa América, os adversários devem vir ainda mais fortes, e a Seleção Brasileira convocada está longe de apresentar força máxima.

Completa, a Seleção masculina pode fazer bonito no Rio. Mas vale à pena disponibilizar dinheiro público em nome dessa possibilidade? Não seria uma maneira de premiar a incompetência da CBB ao lidar com uma dívida contraída no ano passado, para que os meninos pudessem disputar o Mundial após não conseguirem a vaga em quadra?

A possibilidade de fazer bonito em quadra não pode se sobrepor aos princípios de boa administração. A CBB não pode sofrer de complexo de pavão ao tomar a sua decisão.



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