Cleveland Cavaliers de LeBron James começa a engrenar



O Cleveland Cavaliers, do “Rei” LeBron James, enfim começa a conseguir explorar o talento que tem. São oito vitórias seguidas, campanha de 13-7 e a quarta colocação na Conferência Leste. A vítima de terça-feira foi justamente o Toronto Raptors, líder da tabela de classificação: 105 a 101, em Ohio, com direito a grande virada no último quarto e exibição monstruosa do astro. Já é hora de temê-los?

A verdade é que a chegada de LeBron caiu no colo do Cavs. Ao contrário do Miami Heat, que em 2010 contratou o ala e Chris Bosh para montar sua trinca de astros ao lado de Dwyane Wade, a franquia de Cleveland não esperava a decisão do quatro vezes MVP da NBA, que, hoje bicampeão da liga, resolveu voltar para tentar um título com sua franquia da casa.

Prova disso era a clara reconstrução promovida no elenco. Eram vários jovens jogadores, como Kyrie Irving, 1ª escolha do Draft de 2011; Tristan Thompson, 4ª escolha em 2011; Dion Waiters, 4ª escolha em 2012; Anthony Bennett, 1ª escolha em 2013; e Andrew Wiggins, 1ª escolha neste ano. Fazendo o papel de veterano em meio às promessas, estava o brasileiro Anderson Varejão, hoje aos 32 anos de idade, que está na equipe desde 2004.

A questão é que, com a chegada de LeBron, a diretoria se viu pressionada a acelerar a reconstrução para aumentar as chances de título a curto prazo. Então lá foram Bennett e Wiggins para o Minnesota Timberwolves em troca de Kevin Love, que chegava credenciado pelas médias de 26,1 pontos, 12,5 rebotes e 4,4 assistências em 36,3 minutos por exibição obtidas na temporada anterior.

O novo Big Three estava formado: Kyrie Irving, LeBron James e Kevin Love. Mas, a princípio, sofreu com a montagem às pressas. Parte disso deve-se à presença, no banco de reservas, de David Blatt, que chegou gabaritado pelo título da Euroliga conquistado neste ano com o Maccabi Tel Aviv, mas com experiência zero de NBA.

A aposta de Blatt foi em montar seu time com quatro jogadores abertos, com Kevin Love funcionando como um stretch-four – ou seja, um ala-pivô mais arremessador do que com presença de garrafão. Hoje, o ala-pivô arrisca 4,8 bolas de três e acerta 1,8 – boa taxa de conversão de 36,8%. O pick-and-pop com LeBron vem funcionando desde a pré-temporada com eficiência.

Porém, aqui, vale uma observação. Na temporada passada, Love teve 19,31 oportunidades de rebote por jogo – ou seja, quando a bola caiu a até cerca de 1,07m dele -, e coletou 64,8% deles, liderando a NBA entre os alas-pivôs. Vale à pena tirá-lo da tábua ofensiva para transformá-lo em arremessador? Ou, ainda, será que não era possível encontrar um jogador mais eficiente para a função – como Tobias Harris (43,4% da linha dos três pontos), Marcus Morris (42,9%) ou Channing Frye (40,7%) – a um preço menor do que Wiggins + Bennett?

De qualquer modo, as oito vitórias seguidas e o triunfo sobre o Raptors, líder do Leste – ainda que desfalcado do astro DeMar DeRozan – mostram que a equipe está melhorando. Algo mais do que natural para um time que conta com tanto talento. Mas ainda há problemas a serem resolvidos.

O principal deles está no perímetro. Kyrie Irving e, especialmente, Dion Waiters têm de aprender a jogar sem a bola, que tem de ficar o máximo possível nas mãos de LeBron. O ala-armador já foi movido para a segunda unidade, mas mesmo assim segue com seu instinto de tentar pontuar sempre que acionado. O armador, por sua vez, é um arremessador confiável do perímetro e tem de explorar esta faceta quando joga ao lado de The King.

A presença de arremessadores também é importante, já que o time conta em sua rotação regular com jogadores como Shawn Marion, Anderson Varejão, Tristan Thompson e o próprio LeBron, que não espaçam a quadra. Mike Miller, hoje lesionado, e Matthew Dellavedova, voltando de contusão, serão fundamentais para abrir caminho para as infiltrações do camisa 23. O retorno do australiano, inclusive, se mostrou importantíssimo contra o Raptors dos dois lados da quadra na virada sobre o Raptors – o armador atuou por todo o quarto período.

Ainda há uma série de questões a serem respondidas por este Cavs. Irving e Waiters vão aprender a jogar com a bola sem ficarem insatisfeitos? O time titular com LeBron, Marion e Varejão pode continuar sem problemas de espaçamento de quadra? O brasileiro e Thompson podem proteger bem o aro em jogos decisivos? Love pode ser eficiente mesmo sem pisar no garrafão? Mas, mesmo assim, a equipe já dá mostras de que o talento está lá. Será o bastante para brigar pelo título?



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