Canadá expõe a falta de escola defensiva do Brasil



Neste domingo, a Seleção Brasileira masculina de basquete perdeu para o Canadá por sonoros 91 a 62 e chegou à sua segunda derrota em dois jogos na Copa América. O time norte-americano, que é cheio de talento mas que ainda não tem um conjunto coeso, explorou uma alternativa interessante. Contra o Brasil, os canadenses abusaram das jogadas de um contra um e mostraram a fragilidade defensiva do grupo levado pelo técnico Rubén Magnano para Caracas.

Joseph levou a melhor sobre Huertas (Foto: Samuel Vélez/Fiba Americas)

Joseph levou a melhor sobre Huertas (Foto: Samuel Vélez/Fiba Americas)

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Foi assim na estreia, quando Renaldo Balkman deixou a quadra com 24 pontos e oito rebotes, explodindo no quarto período, e guiou Porto Rico à virada e à vitória sobre o Brasil por 72 a 65. Foi assim com Cory Joseph, que teve seu dia de estrela e deixou 28 pontos, nove rebotes, quatro assistências e três roubadas de bola contra Larry Taylor e companhia…

Isso mostra que a Seleção Brasileira não tem uma escola defensiva. O trabalho de Magnano, treinador de ponta no cenário internacional, foi muito bom quando todo o grupo esteve à disposição. Mas a falta de marcadores individuais eficientes, como Leandrinho, Marquinhos, Nenê, Anderson Varejão e Tiago Splitter, ainda não consegue ser sanado com uma boa defesa coletiva, com aplicação tática, movimentação e noção de fundamentos.

A escola defensiva não é problema só de Magnano. Dos cinco bons defensores que citei acima, cinco passaram por ligas importantes de fora do país. Leandrinho até falou sobre isso quando contratado pelo Boston Celtics na última temporada. “De onde eu venho, nós não praticamos defesa”, afirmou o ala-armador – arrancando risos dos jornalistas, que achavam que ele se referia ao Phoenix Suns. Ainda há os casos de Lucas Bebê e Fab Melo, que viraram prospectos badalados graças à proteção do aro que aprenderam a fazer longe do Brasil.

Acredito que a convocação de Magnano não seja perfeita – o treinador poderia ter levado, por exemplo, Jonathan Tavernari e/ou Marcus Toledo, que também têm experiência fora do país e poderiam agregar mais experiência internacional ao time, dos dois lados da quadra. Mas é hora de ir mais fundo do que isso. A derrota para o Canadá – que tem bons jogadores, mas que ainda não considero um bom time – pode servir para refletirmos sobre a formação dos nossos atletas.

Por essas é outras que a Seleção de novos foi uma ideia importantíssima colocada em prática pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB). Os jovens jogadores só têm a ganhar em termos de rodagem e experiência – principalmente os alas Gui Deodato, Matheus Dalla e Léo Meindl, que jogam em uma posição carente do time de Magnano e devem receber chances em breve no grupo principal.

Mas a mesma Seleção de novos foi outro indicador do problema crônico no basquete nacional. Na disputa da Universíade, em Kazan, o Brasil perdeu para Lituânia, Canadá, Romênia e Estônia – os dois últimos com pouquíssima tradição na modalidade – e acabou o torneio na oitava colocação.

Boas iniciativas não faltam. Além da Seleção de novos, há a Liga de Desenvolvimento de Basquete (LNB). Tudo para que nossos jogadores cheguem mais maduros ao adulto. Que ajudem a criar uma escola brasileira, principalmente na defesa – problema que ficou evidenciado neste domingo.



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