Brooklyn Nets e a ausência do “tank”



Ao favorecer os piores times da temporada no Draft em busca de equilíbrio, a NBA gera como consequência o fenômeno do “tank”. Times montam elencos deliberadamente ruins e buscam derrotas para iniciarem sua reconstrução com bons novatos adquiridos por meio do recrutamento anual. Como seria a liga se essa iniciativa fosse combatida? O Brooklyn Nets deste ano pode ser uma pista.

Há alguns anos, a franquia, que havia acabado de se mudar da Nova Jersey para o Brooklyn, comprometeu escolhas de Draft futuras para reunir estrelas. Deron Williams, Joe Johnson, Paul Pierce, Kevin Garnett e Brook Lopez formaram um quinteto titular aparentemente de respeito, mas em quadra não deram o resultado esperado.

Os efeitos do fracasso do Brooklyn Nets serão sentidos por pelo menos mais dois anos. Em 2017, o Boston Celtics tem o direito de inverter a ordem das escolhas de primeira rodada com a franquia, além de ter o direito irrestrito sobre a escolha de primeira rodada da equipe nova-iorquina em 2018. No Draft deste ano, o time de Massachusetts selecionou o ala Jaylen Brown em uma escolha que originalmente era do Nets.

Como se reconstruir, então, se você não tem escolhas boas de Draft? O primeiro passo foi cortar Joe Johnson. Sim, isso mesmo. Contratado em fevereiro, o gerente geral Sean Marks disse que a retomada da franquia passaria pela reconstrução de sua imagem. Dispensar um jogador insatisfeito com a situação da franquia para permitir que ele brigasse pelo título em outro lugar seria um jeito de mostrar a futuros agentes livres que o Brooklyn Nets cuidaria bem de seus atletas.

Para a atual temporada, ciente de que não conseguiria atrair os melhores agentes livres, a franquia se virou para encontrar bom talento. Justin Hamilton foi trazido da Europa, e hoje contribui com 6,5 pontos e 4,4 rebotes por jogo. O veterano Luis Scola achou um time em que tem minutos relevantes em quadra. Jeremy Lin enfim recebeu a função de armador titular – e um salário correspondente. Caris LeVert e Isaiah Whitehead foram adquiridos por meio de trocas na noite do Draft.

Além de tudo isso, só um time na situação do Brooklyn Nets pode achar na D-League talento como o de Sean Kilpatrick. O armador, promovido após se destacar na liga de desenvolvimento, tem 15,6 pontos e 4,4 rebotes em 27,8 minutos por exibição na temporada. Uma equipe forte provavelmente não precisaria de um jogador do tipo no elenco, enquanto um time fraco focado no Draft não contrataria alguém capaz de causar tal impacto.

O Nets é um dos piores times da NBA – mas poderia ser ainda pior se tivesse sido montado para perder. Uma pista de como seria a liga se não existisse o “tank”.



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