Basquete é capaz de salvar o minuto



No dia 17 de novembro de 2015, poucas semanas antes de nos deixar, Bernardo Guimarães, então assessor da Liga Nacional de Basquete, juntou palavras e referências bibliográficas para compor um dos mais belos textos já escritos sobre a modalidade da bola laranja. Revoltado com o ataque terrorista em Paris e com o desastre ambiental em Mariana, nos mostrou que “o melhor esporte do mundo não nos recupera das perdas; das pessoas, da água, dos peixes e da fonte de sustento. Não limpa o mar de sangue parisino, tampouco o mar de lama das Minas Gerais. Mas o basquete é capaz de muita coisa. De encantar e, como já foi dito, de salvar o minuto, o momento”. Quase um ano depois, a lição do Berna deve servir de legado para um país que pensa em tirar a educação física da grade escolar.

Basquete no Ceret é 'salvo' pelo 'seu' Arthur (Foto: Arquivo Pessoal)

Basquete no Ceret é ‘salvo’ pelo ‘seu’ Arthur (Foto: Arquivo Pessoal)

Nos últimos meses, uma imagem rodou grupos de whatsapp de praticantes amadores de basquete, especialmente aqueles que habitam quadras públicas de São Paulo: uma tabela com uma placa com os dizeres “Não se pendure no aro! Ele não é igual ao da NBA!! E você, com certeza, não é o LeBron James!!!”.

A iniciativa foi de Arthur Toledo Pugliese, senhor de 67 anos de idade que cansou de chegar nas quadras do Ceret, na zona leste da capital paulista, e ver os aros das tabelas destruídos. Hoje empresário, o amante da modalidade já a praticou profissionalmente no Rio de Janeiro, estado onde nasceu, e em Minas Gerais.

Hoje, para o “seu” Arthur, o basquete é diversão. É a chance de fazer amigos. De ajudar uma das regiões menos favorecidas da cidade. De deixar fora da quadra lembranças e sentimentos ruins em nome do “esporte mais emocionante de todos”, como disse à coluna. Ele não precisa ser LeBron James para isso. Nem Michael Jordan.

Basquete tem em Jordan sua maior referência (Foto: AFP)

Basquete tem em Jordan sua maior referência (Foto: AFP)

Claro que ser o maior jogador da história do basquete torna muito mais fácil usar o potencial da modalidade de salvar minutos. É o que o ídolo do Chicago Bulls e hoje dono do Charlotte Hornets faz quando finalmente se torna personagem da luta contra o racismo ao se colocar à disposição da comunidade local após a polícia assassinar Keith Lamont Scott. É o que as jogadoras do Indiana Fever fazem ao aderirem ao protesto de Colin Kaepernick e se ajoelharem durante a execução do hino nacional americano.

É possível usar o basquete, assim como qualquer outra modalidade, para salvar e ser salvo. Não é preciso ser Michael Jordan ou LeBron James para isso, como mostra o “seu” Arthur. O esporte é uma ferramenta de transformação humana. Querer tirá-lo da escola é querer jogar contra sua história.



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