Arremessos decisivos e a memória seletiva na NBA



No domingo, quem acompanha NBA de perto teve a oportunidade de acompanhar o terceiro arremesso decisivo em três dias nos playoffs da NBA. LeBron James acertou, nos instantes finais da partida, a bola que deu a vitória por 86 a 84 do Cleveland Cavaliers sobre o Chicago Bulls, em Chicago, empatando a série, válida por uma das semifinais da Conferência Leste, por 2 a 2. Depois do lance, uma postagem no Twitter do Two-Minute Warning me chamou a atenção: se o jogo tivesse de ser comparado a um filme, seria Rocky 4: divertido de assistir e com alguns momentos icônicos, mas, quando se presta atenção, se percebe que foi muito ruim. Respondi dizendo que seria As Branquelas: ruim em termos de qualidade, mas com uma cena histórica que salva o conjunto da obra.

O jogo sintetiza um pouco do que foi o fim de semana para a liga profissional americana de basquete. Depois de Derrick Rose colocar o Bulls em vantagem na sexta-feira e Paul Pierce colocar o Washington Wizards na frente por 2 a 1 sobre o Atlanta Hawks no sábado em arremessos nos últimos segundos, James entrou em ação para completar a trinca.

Três bolas certeiras no estouro do cronômetro viraram algo igualmente raro e empolgante. Mas certamente ajudarão a esconder alguns pontos baixos do fim de semana e, especialmente, do domingo.

No duelo entre Bulls e Cavs, o time da casa acertou 36% dos arremessos de quadra, contra 38,7% dos visitantes. Para se ter uma ideia, o Philadelphia 76ers, que foi o pior time da temporada regular na estatística, terminou o campeonato com 40,8% de aproveitamento. Só sobreviveu em frente à TV para ver a bola certeira de James quem foi valente o bastante para aguentar os 103 (CENTO E TRÊS!) arremessos errados que aconteceram ao longo da partida.

O que dizer, então, do duelo entre Los Angeles Clippers e Houston Rockets, que começou horas mais tarde e terminou com vitória por 128 a 95 dos angelinos, resultado que colocou a equipe californiana em vantagem por 3 a 1 na série? Vendo seu pivô Dwight Howard ter de ir para o banco cedo por acumular muitas faltas nos primeiros minutos do confronto, Kevin McHale, técnico do time texano, decidiu apelar para a polêmica estratégia de faltas intencionais em DeAndre Jordan.

O pivô do Clippers, que tem baixo aproveitamento da linha de lances livres, bateu 34 (TRINTA E QUATRO!) durante o jogo – 28 no primeiro tempo, novo recorde na história dos playoffs) – e acertou 14. Como resultado, viu-se um jogo arrastado, que demorou bem mais do que o normal para acabar.

Por sorte, os arremessos decisivos vieram para roubar a cena no fim de semana da NBA. Por outro lado, um domingo como esses poderia afastar muitos torcedores da TV pela falta de entretenimento.



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