Fugindo do óbvio no Jogo das Estrelas do NBB

por Lucas Pastore em 06.fev..2016 às 3:00h

Fui um dos convidados pela Liga Nacional de Basquete (LNB) para indicar jogadores rumo ao Jogo das Estrelas do NBB, que será disputado em Mogi das Cruzes (SP) no dia 19 de março. Como critério para montar minhas equipes, optei por indicar atletas que fazem uma boa temporada ao invés de nomes de peso do basquete nacional, figuras carimbadas no evento nos últimos anos.

Meus times foram formados por Deryk, do Brasília, Pedro, do São José, Marquinhos, do Flamengo, Ronald, do Brasília, e Caio Torres, do Paulistano, no NBB Brasil; e Caleb Brown, do Macaé, Bennett, do Pinheiros, Holloway, do Pinheiros, Meyinsse, do Flamengo, e Toyloy, do Paulistano, no NBB Mundo.

Na equipe brasileira, Marquinhos e Caio são os mais conhecidos da torcida brasileira. Os outros três, no entanto, são gratas novidades da atual edição do NBB.

Armador de apenas 21 anos de idade, Deryk é um dos comandantes do Brasília, que ocupa a quarta colocação no campeonato. Com médias de 14,9 pontos e três assistências em 28,3 minutos por exibição, o jovem mostra que tem basquete para mostrar quando tem espaço, já que recebe o maior tempo de quadra da sua carreira depois de passar cinco anos em Limeira.

Apesar de não ser tão jovem, Pedro é mais um caso de jogador que deslancha quando recebe espaço. Depois de cinco temporadas no Paulistano, o ala-armador de 28 anos de idade assumiu protagonismo no São José,e vem apresentando médias de 16,4 pontos e 2,8 rebotes em 29,9 minutos por exibição.

Por fim, Ronald, de 24 anos de idade, é um jovem pivô que conseguiu absorver os ensinamentos dos veteranos que o Brasília tem e que passaram pelo time nos últimos anos. Com 14,2 pontos e 6,1 rebotes em 24,9 minutos por exibição, se tornou uma importante presença interna para a equipe da capital.

Se no NBB Mundo somente o ala-armador Corderro Bennett, que faz sua primeira temporada no Brasil, fugiria do óbvio, na equipe nacional pode ser importante dar espaço para caras novas. Afinal, a liga faz parte do processo de renovação que cobramos para a Seleção e para a modalidade no país.

Convocação premia a boa temporada de Raulzinho

por Lucas Pastore em 30.jan..2016 às 3:00h

Crescendo mês a mês, Raulzinho foi recompensado pela temporada sólida que faz pelo Utah Jazz. Na quarta-feira, a NBA anunciou que o brasileiro fará parte do Desafio de Estrelas Ascendentes, evento do Fim de Semana das Estrelas que coloca em ação jogadores que estão no primeiro ou segundo ano na liga.

Raulzinho será um dos armadores do time internacional, que contará ainda com Emmanuel Mudiay, Bojan Bogdanovic, Mario Hezonja, Andrew Wiggins, Nikola Mirotic, Kristaps Porzingis, Dwight Powell, Clint Capela e Nikola Jokic. A equipe americana, por sua vez, terá D’Angelo Russell, Elfrid Payton, Marcus Smart, Jordan Clarkson, Zach LaVine, Rodney Hood, Jabari Parker, Nerlens Noel, Jahlil Okafor e Karl-Anthony Towns.

A convocação premia uma temporada sólida e de evolução constante de Raulzinho na NBA. Ninguém duvidava do potencial do jovem, de apenas 23 anos de idade. Mas poucos imaginavam que ele já chegasse assumindo o papel de titular – o que foi possível por conta da grave lesão do australiano Dante Exum, que se machucou jogando por sua seleção antes do início da temporada e ainda não voltou.

Aproveitando-se do espaço deixado por Exum e da dificuldade que Trey Burke tem para deslanchar, Raulzinho vai, aos poucos, se adaptando à NBA e se entrosando com os colegas. Após passar 16,8 minutos por jogo em quadra em novembro e 17,1 em dezembro, o brasileiro agora joga 22,3 por partida. No mês, os números de arremessos (6,1), arremessos de três (2,4), lances livres (1,1) e assistências (2,7) por jogo são os maiores de sua carreira na liga até aqui. Provas da evolução do armador, que fez por merecer sua presença no evento.

Jogo das Estrelas escancara tendência tática na NBA

por Lucas Pastore em 23.jan..2016 às 3:00h

Anunciada na noite de quinta-feira, a lista de titulares do Jogo das Estrelas da NBA, escolhidos em votação popular, evidencia uma tendência cada vez mais relevante na liga: o foco no perímetro e a diminuição da importância do jogo de garrafão. Dos dez eleitos, nenhum é pivô ou ala-pivô de característica clássica.

Na Conferência Oeste, foram escolhidos Stephen Curry, do Golden State Warriors; Russell Westbrook e Kevin Durant, do Oklahoma City Thunder; Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers, e Kawhi Leonard, do San Antonio Spurs. Na Leste, foram eleitos Kyle Lowry, do Toronto Raptors; Dwyane Wade, do Miami Heat; Carmelo Anthony, do New York Knicks; LeBron James, do Cleveland Cavaliers; e Paul George, do Indiana Pacers.

Entre os dez titulares, o que mais se aproxima do garrafão é George, que desde o começo do ano joga como um falso ala-pivô no Pacers. Durant e Leonard também já exerceram a função em algum momento, e há quem defenda que esta é a posição ideal para Anthony, cada vez mais fixado como ala com a evolução do novato Kristaps Porzingis.

A escolha destes jogadores escancara o sucesso recente de um conceito ofensivo conhecido “small-ball”. Apostando na velocidade e nos arremessos de longe em detrimento do jogo interior, as equipes cada vez mais utilizam apenas um jogador de garrafão, que atua ao lado de um armador e de três alas.

Atual campeão e dono de uma campanha histórica nesta temporada, o Warriors é exemplo disso. Ao redor do armador Stephen Curry, astro da equipe, e do pivô Andrew Bogut, são escalados três alas: Klay Thompson, Harrison Barnes e Draymond Green. Todos podem converter arremessos da linha dos três, defendem várias posições e são capazes de manter o nível de movimentação intenso dos dois lados da quadra.

Green, por sinal, é uma das ausências mais sentidas na lista pela importância que tem. Selecionado na 35ª escolha do Draft de 2012, o ala era alvo de receio de especialistas, que diziam que ele poderia ser pesado demais para a posição 3 e fraco fisicamente para a 4. Hoje, no entanto, usa sua visão de jogo para ser o segundo mais relevante do melhor time da temporada.

Uma das formações mais eficientes do Warriors, por sinal, usa o ala reserva Andre Iguodala, sexto homem do time, no lugar de Bogut, deixando Green improvisado como pivô. Esse “exagero de small-ball” castiga os adversários com velocidade, arremessos de longe e trocas na defesa, já que, na ausência de pivôs, ninguém tem dificuldades de se afastar do garrafão.

É uma pena para os fãs de pivôs clássicos, mas o Jogo das Estrelas e o campeão estão aí para mostrar: é a vez do small-ball.

Contra os radicais das listas da NBA

por Lucas Pastore em 16.jan..2016 às 3:00h

Ao longo da última semana, a ESPN americana publicou listas com os rankings dos melhores jogadores de todos os tempos da NBA, posição por posição. Entre as que já saíram, duas causaram polêmica: a dos armadores, com Stephen Curry em quarto, à frente de Isiah Thomas, Chris Paul e Steve Nash, e a dos alas, com LeBron James em primeiro, à frente de Larry Bird. Mas será que tanta controvérsia tem razão de ser?

Qualquer publicação desse tipo tende a despertar as mais ferozes discussões por um simples motivo: não existe uma fórmula objetiva para decidir quem é melhor. São jogadores diferentes, de características diferentes, que atuaram em épocas diferentes sendo comparadas por pessoas com critérios diferentes. Como agradar a todos?

Há quem priorize os feitos individuais quanto tenta escolher seus prediletos. Mas quais feitos? Troféus de MVP, escolhidos de maneira subjetiva? Pontos por jogo? Então um armador clássico, que prioriza as assistências, jamais seria escolhido? Até mesmo o PER, estatística avançada que leva em conta vários fundamentos, supervaloriza a parte ofensiva do jogo. E não podemos esquecer de jogadores que topam sacrificar seus números se isso for benéfico para o time.

Usar apenas critérios coletivos é ainda mais complicado. Ou alguém acha que o bicampeão Matt Bonner é mais jogador do que foi Charles Barkley, aposentado sem títulos?

Caso um dia fosse necessário criar um ranking com os melhores jogadores de todos os tempos, seria preciso criar uma fórmula que levasse em conta todos esses critérios. Mesmo assim, ainda existiria gente insatisfeita com os resultados por um motivo impossível de medir: preferências individuais.

Há quem prefira o estilo pontuador e classudo de Larry Bird. Há, por outro lado, quem prefira o atleticismo e a criatividade de LeBron James. É preciso entender que existem argumentos inteligentes para que os dois sejam considerados o melhor ala da história. O mesmo acontece com Stephen Curry: apenas uma temporada de elite, mas uma temporada de sucesso absoluto. Os radicais não podem ter vez.

Janeiro trará importantes definições no basquete olímpico

por Lucas Pastore em 03.jan..2016 às 3:00h

Os fãs de basquete esperam duas importantes definições no começo de 2016. No próximo dia 19 de janeiro, a Federação Internacional de Basquete (Fiba) vai divulgar os países-sedes dos Pré-Olímpicos feminino e masculino, que vai decidir os últimos classificados para os Jogos do Rio. Oito nações se inscreveram e vivem a expectativa do anúncio oficial.

O torneio feminino, que será disputado entre os dias 13 e 19 de junho, tem França e Espanha como candidatas a sede. Além das duas nações, Belarus, Turquia, Argentina, Cuba, Venezuela, Camarões, Nigéria, China, Coreia do Sul e Nova Zelândia vão participar do torneio, que dará cinco vagas olímpicas.

Brasil, Estados Unidos, Sérvia, Canadá, Austrália, Japão e Senegal são as sete seleções já classificadas para os Jogos Olímpicos deste ano na chave feminina.

No masculino, as coisas serão um pouco diferentes. O pré-olímpico será dividido em três torneios, que serão simultaneamente disputados entre os dias 4 e 10 de julho. O campeão de cada chave vai carimbar sua vaga no Rio.

Além das 15 nações classificadas para o Pré-Olímpico via torneios continentais, os três países sedes se juntarão à disputa. República Tcheca, Alemanha, Itália, Filipinas, Sérvia e Turquia querem sediar o torneio classificatório para o Rio.

Caso uma seleção já classificada seja escolhida como sede, um país de seu continente será puxado para o Pré-Olímpico de acordo com sua colocação no último torneio local.

França, Grécia, Sérvia, Itália, República Tcheca, Canadá, México, Porto Rico, Angola, Tunísia, Senegal, Filipinas, Irã, Japão e Nova Zelândia são as seleções que já estão garantidas na chave masculina da Olimpíada. Ou seja: italianos, tchecos e filipinos podem acabar classificando novas equipes.

As outras seleções que já garantiram classificação para os Jogos são Estados Unidos, Brasil, Austrália, Nigéria, Venezuela, Argentina, Espanha, Lituânia e China.

A escolha das sedes e a divisão das equipes serão fatores decisivos para que nível da disputa seja determinado.

Discussão sobre calendário da NBA volta após lesão de Bledsoe

por Lucas Pastore em 02.jan..2016 às 3:00h

Melhor jogador do Phoenix Suns, Eric Bledsoe não vai mais jogar basquete nesta temporada. Por conta de uma lesão no menisco do joelho esquerdo, o armador teve de ser operado e não poderá retornar às quadras da NBA antes do início da temporada 2016/2017. A lesão reforça uma tendência dos últimos campeonatos e reacende uma antiga discussão em relação à liga profissional americana: a desgastante temporada regular.

Na fase de classificação, cada time joga 82 jogos. Depois de tudo isso, classificam-se para os playoffs 16 das 30 equipes. Parece muito para que menos da metade das equipes fique pelo caminho, certo? Se todos se enfrentassem em turno e returno, esse número cairia para 58 partidas, e, com um bom gerenciamento, ainda seria possível ter duelos de qualidade todo dia para satisfazer as televisões locais.

O Suns é uma equipe sem muitas pretensões na temporada. Mas os dois melhores times do campeonato até aqui também já tiveram seus astros afastados por conta de lesões: Stephen Curry, do Golden State Warriors, e Tim Duncan, do San Antonio Spurs, não estiveram em quadra nos últimos compromissos de suas equipes no ano passado.

O time texano, aliás, tem um treinador que protesta sem maiores pudores contra a desgastante temporada. Gregg Popovich costuma poupar seus astros – especialmente os experientes Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan – quando sua equipe tem de jogar duas partidas em dias consecutivos. Coincidentemente ou não, quase sempre preserva seus astros do duelo que seria transmitido em rede nacional, fazendo o interesse pelo confronto despencar.

No ano passado, o incontestável Warriors foi campeão com merecimento depois de sobrar na temporada regular e nos playoffs. Mas as lesões de jogadores importantes como Chris Paul, Kyrie Irving, Mike Conley e Kevin Love fez com que a pós-temporada fosse menos divertida do que poderia ter sido. Talvez seja hora da NBA repensar seu calendário para permitir que suas estrelas cheguem saudáveis com maior facilidade na hora que mais importa.

NBA tem jogos interessantes na rodada do feriado

por Lucas Pastore em 31.dez..2015 às 3:00h

Engana-se quem pensa que o calendário esportivo tem descanso por conta do Ano Novo. Nesta sexta-feira, nada menos do que cinco jogos movimentam a rodada especial de Réveillon da NBA.

As partidas do dia começam às 22h (de Brasília), quando o Orlando Magic visita o Washington Wizards. O jogo coloca frente a frente duas interessantes forças da Conferência Leste: enquanto a jovem equipe da Flórida enfim parece ter conquistado a maturidade suficiente para se classificar para os playoffs, o time da capital, que fez boa trajetória na pós-temporada de 2015 mesmo sem contar com o machucado John Wall, sofre mais uma vez com as lesões. Gary Neal pode voltar para o confronto, mas Bradley Beal, Alan Anderson, Drew Gooden e o brasileiro Nenê devem continuar fora. Com isso, a vaga na fase de mata-mata vai ficando cada vez mais longe.

Meia hora mais tarde, o Miami Heat recebe o Dallas Mavericks na reedição das finais de 2006 e 2011, que tiveram um título para cada lado. Dwyane Wade, na Flórida, e Dirk Nowitzki, no Texas, seguem como protagonistas do duelo depois de terem ajudado a guiar suas franquias aos títulos. O duelo coloca frente a frente dois times fortes, que têm condições de disputar os playoffs. Mas ainda falta um passo à frente para se igualar aos favoritos e sonhar com o título desta temporada.

Também às 22h30, o Charlotte Hornets vai até o Canadá para visitar o Toronto Raptors em duelo de sensações da Conferência Leste. São duas equipes que devem estar nos playoffs e que poderão testar suas forças contra outra potência.

Às 23h, o New York Knicks visita o Chicago Bulls em confronto de dois dos mais tradicionais times da NBA. Derrick Rose e companhia trabalham para achar a rotação ideal, enquanto o time de Carmelo Anthony vem embalado pelas boas atuações do novato Kristaps Porzingis. Outro jogão!

Por fim, já à 1h30 de sábado, o Philadelphia 76ers visita o Los Angeles Lakers no duelo dos dois piores times da NBA. Mesmo assim, vale para acompanhar os últimos passos de Kobe Bryant, que vai deixar o basquete profissional ao fim da temporada.

Brasileiros fora

Três times com brasileiros estarão em ação na rodada, mas nenhum deve entrar em campo. Além de Nenê, machucado, Bruno Caboclo e Lucas Bebê ainda brigam por espaço no Toronto Raptors. O mesmo acontece com Cristiano Felício no Chicago Bulls, que tem uma das rotações de garrafão mais fortes de toda a NBA.

Na véspera

A rodada do dia 31 também tem jogos interessantes para o fã de basquete acompanhar. O destaque é o Golden State Warriors, que tem o melhor começo de campanha da história da NBA e tenta manter a boa fase às 22h, quando visita o Houston Rockets. O craque Stephen Curry, que vem sentindo dores nas pernas, pode ser poupado do confronto.

Por que o Utah Jazz mantém Raulzinho como titular?

por Lucas Pastore em 28.dez..2015 às 3:00h

Com Marcelinho Huertas sem espaço no Los Angeles Lakers, a ida de Raulzinho para a NBA poderia ser má notícia para a Seleção Brasileira, que correu o risco de ter seus dois principais armadores sem ritmo de jogo na temporada que antecede a Olimpíada do Rio de Janeiro. Mas, felizmente, não é o caso. Com média de 17,4 minutos por exibição, o jovem de 23 anos de idade disputou 27 partidas pelo Utah Jazz, sendo 26 como titular, e tem mostrado que a mudança para os Estados Unidos veio em boa hora.

Há de se considerar, porém, que a trajetória de Raulzinho no Jazz começou com um pouco de sorte. Isso porque, durante a preparação para Fiba Oceania, torneio classificatório pré-olímpico, o armador australiano Dante Exum, uma das principais apostas do futuro da franquia, se machucou. Isso certamente fez com que o brasileiro tivesse mais espaço em sua temporada de novato.

Assim, restou a Raulzinho a concorrência de Trey Burke. Selecionado pelo Jazz na nona escolha do Draft de 2013, o armador americano não conseguiu causar o impacto que se esperava dele e, após duas temporadas como profissional, foi perdendo cada vez mais espaço em Salt Lake City.

Porém, movido para o banco de reservas nesta temporada, Burke enfim dá sinais de que pode, sim, ser um jogador sólido na NBA. Suas médias a cada 36 minutos são de 17,4 pontos, 4,3 assistências e 3,3 rebotes, enquanto as de Raulzinho são de 10,9 pontos, 4,5 assistências e 3,1 rebotes. O que faz, então, o brasileiro ser mantido como titular?

A resposta está na visão de quadra de Raulzinho. Atuando como titular, o ex-jogador do Minas pode facilitar a vida dos pivôs Derrick Favors e Rudy Gobert, que têm dificuldades na criação de arremessos sem a ajuda de um armador. Além disso, a presença do brasileiro faz com que o ala Gordon Hayward tenha menor responsabilidade no comando do ataque, podendo usar sua inteligência seu atleticismo para se movimentar sem a bola.

Burke, então, é movido para a segunda unidade e passa a funcionar como um pontuador, com liberdade para atacar a cesta. Com ele em quadra, Hawyard assume as funções mais tradicionais da armação, como o comando do pick-and-roll com os pivôs.

A principal preocupação em relação à presença de Raulzinho na equipe titular é a defesa, já que na Espanha o armador não estava acostumado a marcar aberrações atléticas como Russell Westbrook. Entre todos os quintetos do Jazz que atuaram por pelo menos dez minutos na temporada, o brasileiro aparece em apenas três dos dez melhores defensivamente.

Ainda assim, se conseguir manter-se superior a Burke na criação de jogadas, Raulzinho tem tudo para terminar a temporada como titular.

Em meio preconceituoso, NBA mostra que inclusão é o caminho

por Lucas Pastore em 19.dez..2015 às 3:00h

Depois de ouvir ofensas homofóbicas de Rajon Rondo, armador do Sacramento Kings, durante a derrota do time da Califórnia por 114 a 97, na quinta-feira da semana passada, o árbitro Bill Kennedy foi personagem de um caso que mostra que a NBA caminha para ser uma das ligas esportivas mais inclusivas do mundo. Em entrevista ao Yahoo! Sports, o juiz contou que é homossexual.

Kennedy fez a revelação depois de ter expulsado Rondo, que tem status de astro desde sua ascensão no Boston Celtics. Ganhou apoio da liga, que suspendeu o armador, e de dirigentes e treinadores de equipes, que o apoiaram ao longo da semana.

Engana-se quem acha que o caso de Kennedy é algo isolado na NBA. O ex-pivô Jason Collins, que se aposentou ao fim da última temporada, tornou-se, em abril de 2013, o primeiro jogador das grandes ligas americanas a revelar sua homossexualidade.

Não é só em relação à opção sexual que a NBA mostra seu potencial de inclusão. Dois times da liga já têm, por exemplo, mulheres trabalhando em comissões técnicas. A pioneira foi Becky Hammon, campeã da Summer League de Las Vegas como técnica do San Antonio Spurs neste ano. Depois dela, Nancy Lieberman foi contratada pelo Sacramento Kings.

A NBA também costuma ter negros como treinadores principais, algo raro, por exemplo, no mundo de futebol. Atualmente, são sete entre os 30 empregados na liga, ou 36 entre os últimos 96 contratados. Além disso, recentemente, os donos de Los Angeles Clippers e Atlanta Hawks foram obrigados a venderem suas franquias após comentários racistas.

O ambiente criado permite até que os jogadores pensem em propor a retirada maconha da lista de substâncias proibidas.

Claro que ainda é muito pouco quando comparamos esta realidade ao mundo que consideramos ser ideal, já que estamos falando de pioneiros em um universo tradicionalmente preconceituoso e conservador. Mas a NBA começa a dar sinais que o esporte pode, sim, ser como deve: democrático e inclusivo.

Saída de Zanon é mais um capítulo na crise do basquete feminino

por Lucas Pastore em 11.dez..2015 às 17:15h

Mais uma má notícia fez com que o momento, talvez o mais preocupante da história do basquete feminino brasileiro, ficasse ainda pior. A Confederação Brasileira de Basquete anunciou nesta sexta-feira, por meio de um comunicado em seu site oficial, que Luiz Augusto Zanon, técnico da Seleção Brasileira adulta, pediu demissão alegando problemas de saúde. Tudo a oito meses da Olimpíada de 2016 e em meio ao embate da CBB com os clubes, que cobram maior protagonismo na gestão da modalidade.

A escolha de um treinador para concluir o planejamento da Seleção rumo aos Jogos passa a ser prioridade entre os inúmeros problemas que precisam ser resolvidos. Vale lembrar que a presença de um colegiado técnico, com representantes das seis agremiações que disputam a Liga de Basquete Feminino, é a principal exigência dos clubes na briga por mais poder no comando da modalidade. Apesar da renúncia de Zanon tratar-se de uma péssima notícia, a reconciliação passa a ser uma oportunidade para as partes.

Em entrevista ao LANCE!, Ênio Vecchi, ex-técnico da Seleção feminina, disse, em meio a críticas à CBB, que o colegiado já deveria existir faz tempo. De fato, a ideia de um treinador isento, sem ligações com qualquer clube, cercado de profissionais que conhecem de perto o cenário nacional parece ser um bom caminho para que a modalidade resolva, pelo menos, uma parte de seus problemas.

Trata-se de uma questão urgente porque, entre 15 e 17 de janeiro, a Seleção disputa um evento-teste olímpico no Rio. Até lá, é necessário ter um técnico e um acordo com os clubes para viabilizar a cessão de jogadoras.

Ainda que urgentes, essas soluções, no entanto, resolveriam apenas a ponta do basquete feminino no Brasil. É preciso cuidado com a base para ontem, desde a captação de jogadoras à capacitação de técnicos. A modalidade pede socorro.