Murilo Becker: disponível, inteiro e sem previsão para se aposentar

Murilo Becker: disponível, inteiro e sem previsão para se aposentar



Murilo Becker

Murilo: campeão do Desafio de Habilidades do Jogo das Estrelas 2018. Foto: Fotojump/LNB

Ao final da temporada 2015/2016, Murilo Becker cogitou a aposentadoria, após o perrengue que passou com um descolamento de retina — incluindo a dificuldade de se adaptar aos óculos estilo Horace Grant. O pivô se recuperou plenamente, até porque um obstáculo muito maior havia sido vencido na temporada anterior, quando um de seus cinco filhos, Gabriel (irmão de Duda, Léo, Rafaella e Maya), venceu uma meningite. Depois de toda essa turbulência, o camisa 21 deixou Bauru para novos desafios, passando por Vasco e Vitória. O olho não incomodou mais, as crianças cresceram e a vontade de jogar basquete continua firme. Conversei com Murilo sobre seu momento no basquete, animado a jogar (inteiro fisicamente) e ainda aguardando manifestações do mercado. Confira:

Depois dos perrengues que você passou em Bauru (seu olho, a luta do Gabriel), você teve uma nítida evolução física, tanto no Vasco quanto no Vitória. O que o motivou a se manter competitivo?
— A situação do meu olho foi a menor, porque a lesão só dependia de mim. Mas com o Gabriel foi uma situação muito mais complicada, não dependia de mim. O que eu poderia fazer era orar, pedir a Deus pela vida do meu filho. E deu certo, o moleque é forte, está bem. Com certeza, cresci muito como pessoa, evoluí como ser humano nessas situações. Fisicamente eu melhorei, adoro treinar, adoro academia, estar em atividade mesmo nas férias. Sou competitivo mesmo, quando parar de jogar acho que vou continuar assim. O que me motivou foi a paixão que eu tenho pelo basquete e também meus filhos adoram ver o pai jogar. Quando eu viajo, eles dizem ‘Papai, te vi na TV! Faz cesta aí!’ Quem tem filho sabe o quanto é bom ter quem ama a gente na torcida.

A vitória no Desafio de Habilidades significou bastante nesse seu momento de reafirmação?
— O Desafio não coloca minha equipe mais acima na tabela, mas foi importante pra mim. Pô, quem estava lá sentiu clima, teve TV aberta, você sente aquela emoção de todo mundo olhando pra você. Jamais imaginei que iria participar, mas, quanto fui chamado, fui pra ganhar. Aí vem a parte de ser competitivo. Minha maior felicidade é que vou estar no próximo Jogo das Estrelas, um evento que só vem crescendo, num campeonato que só vem crescendo.

Como recebeu a notícia do fim do Vitória? E vi que ainda está em Salvador: apaixonou-se pela cidade?
— Fiquei muito triste. A galera estava respirando basquete aqui, gostando muito. Eles ainda têm a esperança de que o time possa ficar aqui. Todo mundo me pergunta na rua e eu respondo que a notícia que a gente tem é que acabou. Na cabeça do torcedor do Vitória não está cem por cento que o time acabou… Essa é a esperança deles, porque estavam mesmo respirando esse esporte. Eu ainda estou em Salvador por motivos particulares, mas logo estarei de saída para algum canto.

Como está o Murilo no mercado de transferências? Sondagens? Propostas na mesa?
— O Murilo está treinando e se preparando para a próxima temporada! Não tenho nada certo em nenhum clube, mas, seja para onde for, vai ser um clube que vai confiar bastante no meu trabalho. Não tenho dúvidas de que vou fazer uma boa temporada.

Seus filhos estão em São José dos Campos, onde você é ídolo. Seria o destino ideal, já que o time tem muitas chances de estar no NBB 11?
— São José é um lugar onde adoro tudo. A cidade, a torcida, o ambiente. Só tive momentos felizes lá. Mas o time está numa situação diferente, disputando a Liga Ouro, não conversei com eles ainda. Estou na torcida para que consigam chegar bem longe, uma vaga no NBB, porque merecem muito, pela história que têm.

Quantas temporadas você ainda projeta disputar?
— Eu já falei que jogaria mais uma, duas, três… E já joguei essas duas, três… Quando eu comecei a jogar, imaginei que iria até os 36 [completará 35 em 14 de julho], mas hoje estou me sentindo superbem fisicamente. Gosto muito do que eu faço, meu corpo aguenta bastante ainda. Enquanto eu tiver lenha pra queimar, vou jogar, sim.

Última, uma curiosidade: você é parente do Alisson Becker, goleiro titular da seleção brasileira?
— Não sou, mas nessas horas queria muito ser! Porque com certeza eu estaria lá na Copa torcendo por ele. Todo dia alguém me pergunta sobre isso…