Parede



A temporada ainda não terminou, mas o futebol brasileiro já discute o ano que vem. Há clubes que escolheram o técnico e tratam das saídas e chegadas no elenco. Há os que convivem com poucas questões entre os jogadores e várias em relação ao treinador. Há os que parecem não saber direito como proceder e os que literalmente não fazem a mais pálida ideia. Cada um administra sua vida e seus problemas como pode, claro, e é natural que, consumidos pela necessidade de planejamento, os clubes que gostam de se considerar candidatos ao que estará em disputa evitem a pergunta que está escrita na parede, em letras inconfundíveis: meu time será capaz de vencer o Flamengo?

Porque é disso que se trata, afinal. Equipes que almejem terminar 2020 com algo para mostrar deverão encontrar uma forma de vencer o Flamengo, porque está claro que o campeão brasileiro e sul-americano enfrentará as competições do calendário do mesmo jeito que fez em 2019, ou seja, sem escolhas. Especialmente no Campeonato Brasileiro, a situação pode parecer melhor, mas é o contrário: não é necessário ganhar do Flamengo, mas ser superior ao Flamengo ao longo de trinta e oito rodadas. Ninguém se aproximou dessa exigência no campeonato que está para acabar, e não parece que alguém esteja prestes a dar um salto de qualidade tão dramático. Enquanto não há nenhuma garantia de que o Flamengo seja tão bom quanto foi, é preciso considerar a possibilidade de ser ainda mais forte. Certamente um pensamento assustador, pois não há o que fazer quanto a isso.

Dois times foram expostos pelo sucesso do Flamengo de Jorgesus (o nome composto é um terrível trava-línguas, por isso a adaptação): Palmeiras e Grêmio. O primeiro era apontado – e se apresentava assim – como o grande concorrente, o rival que se garantia em elenco e orçamento. Um campeonato depois, o placar agregado mostra um mais-do-que-desconfortável 1 x 6 e uma diferença de pontos que pode ultrapassar a marca dos vinte nesta quinta-feira. Com o Grêmio a coisa é ainda mais gráfica, por envolver um confronto direto na Copa Libertadores. A autópsia dos enfrentamentos tem como destaques os 5 x 0 na perna de retorno do torneio continental e um incômodo 0 x 1 no segundo turno do Brasileirão, quando o time reserva do Flamengo disputou vinte minutos do jogo em Porto Alegre com um homem a menos, após a expulsão de Gabriel Gol (42, e contando). A conclusão é automática: não houve concorrência.

O único time que pode falar em um tom pouco mais alto é o Athletico Paranaense, responsável pela eliminação do Flamengo nas quartas de final da Copa do Brasil nos pênaltis, após dois empates em 1 x 1. O Athletico é um dos clubes que ainda não definiram quem será o técnico em 2020, o que no caso específico do time de Curitiba significa algo mais do que uma mudança de comando, por causa da saída do treinador que supervisionou a conquista de dois títulos nas últimas duas temporadas. Apresentado à pergunta que encerra o primeiro parágrafo desta coluna, a resposta será, com otimismo, “talvez”. E, veja, essa é uma boa posição. Nos demais casos, 2019 está terminando com sensações preocupantes, pois, como se sabe, no ano que vem tem mais



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