Uma festa?



A situação de convulsão social no Chile deu à Conmebol a chance de corrigir o erro da final da Copa Libertadores em jogo único. Era a oportunidade de restaurar a decisão em ida e volta e devolver ao torneio o encerramento ao qual o continente está culturalmente habituado. As garantias oferecidas pelo governo chileno, porém, mantiveram os planos originais, que levarão River Plate e Flamengo à “festa do futebol sul-americano” – inserir emoji de pessoa tapando o rosto com a mão – em Santiago para que todos se sintam numa versão paralela da final da Liga dos Campeões.

Conta-se que, mesmo em caso de impossibilidade de realizar o evento na capital do Chile, o troféu ainda seria disputado numa partida única, por causa de acordos comerciais já firmados. Só que em outro país. De modo que privar as torcidas envolvidas de uma final metade em Buenos Aires, metade no Rio de Janeiro, era uma decisão irrevogável. Tivessem os cartolas da casa de leilões de Luque um pouco de apreço pelo jogo, desistiriam da ideia e produziriam festas de verdade em Nuñez e no Maracanã. Seria uma boa notícia para o Flamengo.

No papel, é cristalina a superioridade técnica do time dirigido por Jorge Jesus. Plano teórico, é óbvio, baseado em qualidade individual e coletiva. Do mesmo modo, um argumento indiscutível a favor do conjunto de Marcelo Gallardo é a experiência recente em decisões continentais. Confrontos em dois jogos costumam expor qual é o melhor time, justamente por equilibrar os componentes de futebol jogado e de fatores aleatórios que podem ter influência decisiva. É difícil estabelecer um favorito destacado para um encontro único em Santiago. Em duas partidas, esse favorito seria o time brasileiro.

Alguém poderá lembrar da forma como o River Plate alcançou a final da edição do ano passado, eliminando o Grêmio em Porto Alegre após ser derrotado em casa. A diferença para o cenário atual é que não só havia equilíbrio técnico entre as equipes, como é perfeitamente razoável apresentar o argumento de que o segundo tempo na Arena gremista provou que o eventual campeão sul-americano era superior. O time que estará diante do River no próximo dia 23 é uma séria ameaça ao plano do terceiro título nas últimas cinco temporadas, com máximo respeito à trajetória de glórias do clube argentino neste período.

O River tem o que os outros desejam; a taça, e obviamente conhece o caminho. Até a semana passada, a diferença de experiência no jogo sul-americano era um dos temas prévios à partida de volta do confronto entre Flamengo e Grêmio. Uma noite no Maracanã e cinco gols mais tarde, o fim da conversa ficou bem evidente. O assunto volta ao debate antes da finalíssima, com a diferença de que desta vez não haverá Maracanã. A Conmebol quer um jogo que vale tudo e assim será, mesmo que pareça um contrassenso realizar uma festa num lugar em que não há ambiente para comemorações.



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