Efeito borboleta



Poucas vezes se viu Zinedine Zidane tão contrariado. A entrevista coletiva do técnico do Real Madrid foi marcada pelo descontentamento com a CBF e o calendário do futebol brasileiro, que manteve a programação de jogos da Série B durante o período das datas Fifa. Com nove jogadores convocados por seleções nacionais – incluindo o brasileiro Rodrygo, chamado para um amistoso da equipe sub-23 do Brasil –, o treinador francês não sabe como escalará seu time nos jogos contra Figueirense e CRB. “Simplesmente não tenho jogadores suficientes”, disse Zidane, por intermédio do tradutor do clube.

Zidane tem se mostrado crítico com a desorganização do futebol no Brasil. Não bastasse o fato de o campeonato não ser paralisado durante as datas de jogos entre seleções, o planejamento do Real Madrid tem sido prejudicado por problemas como a greve de jogadores do Figueirense, por causa de salários atrasados. O protesto dos atletas causou um W.O. na última rodada do campeonato e a possibilidade de uma repetição no próximo fim de semana preocupa o técnico. “Temos de nos preparar para viajar amanhã para Florianópolis e não sabemos se haverá jogo ou não”, disse. “É inadmissível que isso aconteça no futebol profissional”.

O desempenho do multicampeão da Europa na segunda divisão do campeonato brasileiro evidentemente incomoda. Após dois empates seguidos, contra Brasil de Pelotas e Oeste, um grupo de torcedores organizados fez uma manifestação na porta do hotel onde o diretor José Ángel Sánchez se hospeda quando está no país. Os simpatizantes pedem a demissão do dirigente, querem agendar uma reunião para uma “conversa olho no olho e críticas construtivas” com Zidane, na qual pretendem entregar ao treinador um dossiê com as aventuras noturnas de jogadores renomados do elenco nas cidades brasileiras. Um funcionário do hotel que pediu para não ser identificado revelou que Sánchez não compreendeu direito o significado de uma faixa levada pelos torcedores, em que se lia “Si no es por amor es por terror”.

Vale dizer que relação entre Zidane e os setoristas brasileiros que cobrem o dia a dia do Real Madrid é tensa. Os jornalistas reclamam do regime de treinamentos fechados imposto pelo técnico e gostariam que houvesse ao menos duas entrevistas coletivas por semana. Zidane explica que treinar com privacidade é essencial para seu método de trabalho e não pensa em expandir o contato com os repórteres. Há ainda um descontentamento pelo fato das entrevistas terem apenas trinta minutos, dos quais os primeiros dez não têm tradução, por serem exclusivos dos enviados pelos meios de comunicação espanhóis.

Na sessão de ontem, a temperatura subiu quando Zidane foi informado pelos setoristas que Karim Benzema não poderá jogar nas próximas seis rodadas do campeonato. O atacante francês tinha sido suspenso por uma partida – já cumprida – por causa de um desentendimento com o zagueiro Luiz Otávio, do Botafogo de Ribeirão Preto, em jogo realizado há seis semanas. Mas a procuradoria do STJD recorreu e solicitou que os atletas fossem julgados por agressão física, com penas mais longas. O Pleno do tribunal atendeu o pedido ao julgar o recurso pela manhã, o que gerou uma confissão ressentida de Zidane: “nada que vivi no futebol me preparou para o que encontrei aqui”.



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