Valioso



Você conversa com Juanfran e percebe um jogador de futebol que enxerga sua profissão como uma forma de se expressar como pessoa e transmitir seus valores. “Aprendi com Raúl [González], quando estava nas categorias de base do Real Madrid, que você deve pensar em futebol vinte e quatro horas por dia”, diz o são-paulino recém-contratado, durante a gravação do programa Bola da Vez, da Espn. Que a mensagem não seja confundida com uma vida monotemática. É seu conceito particular do que é ser um futebolista que está em questão. “Jogadores são figuras importantes na sociedade, e devem ser bons exemplos para os mais jovens”, explica. “Eu quero que meu filho saiba que seu pai é a pessoa mais trabalhadora que existe, alguém que pensa em seu clube e em sua família mais do que em si mesmo”.

A importância ao valor do trabalho permeia respostas e impressões sobre os mais diversos temas. Postura que se espera de alguém que desenvolveu com Diego Simeone uma relação de filho e pai, da qual se origina uma forma peculiar de lidar com os sentimentos gerados pelo jogo. “Para mim é mais importante ser visto como uma boa pessoa e um jogador humilde e dedicado. Pode-se jogar melhor ou pior, mas eu aprendi que a torcida precisa perceber que seu coração está ali e que você ajuda seus companheiros”. O técnico argentino, com quem Juanfran compartilhou vários troféus e algumas decepções no Atlético de Madrid, é a pessoa que lhe ensinou tudo e mostrou o caminho para o sucesso em equipes de futebol. “Os jogadores podem gostar mais ou menos de seu técnico, mas precisam crer em tudo o que ele fala”, opina. “Com Simeone era assim: se ele nos mandasse pular da ponte porque assim venceríamos, nós pulávamos da ponte”.

Assim como o São Paulo buscou muitas referências – Filipe Luís e Miranda, companheiros de vida em Madri, são corresponsáveis pela contratação – sobre o lateral que estreou pelo clube na semana passada, Juanfran também fez sua tarefa preparatória com capricho. “Eu acredito que quanto mais você se identifica com o clube, com a cidade e com as pessoas, aumenta a chance disso se refletir dentro de campo”, explica, ao mencionar a intenção de aprender a falar português o quanto antes, para se comunicar melhor dentro e fora do clube. “Existem jogadores que são mais reservados, que não querem esse contato. Eu não sou melhor ou pior do que eles por isso, é só uma diferença de personalidade”, conta. Aqui cabe outra lição de Simeone: “um jogador se comporta em campo como se comporta na vida, e se comporta na vida como se comporta em campo”, diz. O senso de pertencimento pode parecer um tanto antiquado no futebol de hoje, mas é tão crucial para Juanfran quanto sua coluna vertebral.

Do futebol brasileiro, mesmo em pouco tempo, ele já tem opiniões marcadas. “Os treinos são mais longos e os jogos são mais dinâmicos, tenho que fazer minha parte e me adaptar a isso”, revela. Mas está claro que essa adaptação não é um fim, e sim um pré-requisito para o que ele veio buscar no Brasil, quando tinha escolhas que representavam uma rotina mais tranquila a partir do momento em que decidiu deixar o Atlético. “Eu não vim ao Brasil e ao São Paulo a passeio. Vim para aprender, jogar e ganhar”. Além do futebol que possibilita diferentes contribuições ao time dirigido por Cuca, Juanfran tem um papel a desempenhar na transformação da cultura interna de um clube que precisa voltar a conquistar. Ouvi-lo falar leva à conclusão de que a escolha foi feita a dedo.



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