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Uma parte significativa da opinião pública que se ocupa com futebol julga que Neymar está no pior momento de sua carreira. O mesmo se dá em setores da mídia esportiva, no Brasil e fora, ao tratar da entediante procissão sobre o destino do futebolista mais caro da história. Entre manchetes que se desmentem no dia seguinte e tweets que desaparecem repentinamente, observa-se o tradicional espetáculo de especulações que beiram a comédia e, pior, as tentativas de apropriação de assuntos em timelines ávidas por coraçõezinhos. Todo constrangimento é válido para se sentir um membro da conversa, mesmo que o conteúdo informativo – um detalhe automaticamente dispensável nos dias atuais – seja indetectável.

Enquanto treina longe dos atuais companheiros em Paris, em nome do “bem estar do elenco” do clube que pagou o valor de um avião de caça de última geração por seus serviços, Neymar precisa desesperadamente voltar a ser um jogador de futebol. Não há outra maneira de suavizar a sensação de desperdício de talento quando se fala, se ouve, se pensa no atacante sobre o qual os melhores treinadores do mundo têm opinião unânime: top 3 do planeta, um dos raros geradores de desequilíbrio no jogo. Quando está em campo e em condições, claro. Lesões em sequência e problemas pessoais o prejudicam da mesma maneira que fariam com qualquer outro, mas o preço a pagar pela imagem de celebridade pop que não leva a carreira a sério é mais alto. E deve ser mesmo.

Ninguém sabe onde Neymar jogará, mas todos têm direito a preferências, e, na seleção brasileira, haverá comemoração em caso de retorno ao Barcelona. Não só pela possibilidade de reviver um período de extremo sucesso com companheiros conhecidos, mas pela utilização primordialmente pelo lado esquerdo do ataque, região do gramado em que se visualiza sua volta ao time nacional. Sem a obrigação de fechar a segunda linha por ali quando o Brasil se defender, para ser a primeira opção de desequilíbrio após a recuperação. Um “privilégio” de quem estabelece vantagens técnicas, mas, acima de tudo, um benefício coletivo na estrutura ofensiva com Gabriel Jesus e Roberto Firmino. Antes, porém, é preciso estar em campo.

Independentemente dessa visão, não é verdade que a versão 2019 de Neymar, problemática em tantos aspectos, tenha sido futebolisticamente inferior. Quando atuou, ele foi a referência e a influência que o Paris Saint-Germain contratou, embora em várias ocasiões tenha transmitido a impressão de que gostaria de estar em outro lugar. A sensação de que este é seu pior momento só se sustenta num cenário em que o futebol deixou de ter importância, o que, se for verdade, é responsabilidade dele. Se não for, precisa mudar em caráter de urgência.



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