Meio gol



A diferença nas campanhas do Fluminense entre o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana conta uma história curiosa. Pode sugerir algo como uma bipolaridade aparente no time dirigido por Fernando Diniz, ou talvez um desses casos em que um clube não esconde, por intermédio das escalações, a aposta feita em uma competição. Como se sabe, o Fluminense não pode se dar ao luxo de descartar o campeonato nacional, sob pena de se encontrar na Série B em 2020. A hipótese de um transtorno psicológico também não deve ser levada a sério, já que o futebol praticado pelo time nas duas frentes é essencialmente o mesmo. A disparidade está nos resultados, e não é misteriosa como parece.

Adversários locais já descobriram qual é a maneira apropriada para causar desconforto ao time de Diniz: negar espaço oferecendo a bola. É uma estratégia que investe na dificuldade que o Fluminense – ainda? – enfrenta para converter seus altos índices de posse de bola em gols. Oponentes partem da premissa de que pressionar o time carioca em seu campo é um esforço que não vale a pena, por causa da porção do gramado que terão de defender. Ao esperar mais atrás, cuidam de espaços menores e se empenham para romper a circulação próxima à área. É quase uma confissão de que a bola será tricolor na maior parte do tempo de qualquer forma e discuti-la é fazer o jogo que o Fluminense deseja. Com praticamente 60% de posse, em média, no Campeonato Brasileiro, apenas duas vitórias em doze rodadas levaram o time à incômoda décima-sétima posição.

Esse número cai seis pontos percentuais na Copa Sul-Americana, não porque o Fluminense não quer a bola neste torneio, mas porque seus adversários também a querem. Ao disputar a posse com posturas mais agressivas, equipes pagam o preço com campo disponível para o time brasileiro, por vezes até permitindo um jogo de transição em velocidade, como se deu nos 3 x 1 sobre o Peñarol, no Maracanã. A noite de terça-feira foi caracterizada pela demonstração de que o Fluminense não só sabe jogar com mais vertigem, como está preparado para procurar vitórias com esse expediente. Com outra forma de defender e atacar, são quatro vitórias em seis jogos e uma vaga nas quartas de final.

Acima de qualquer outro aspecto, a eficiência nas finalizações é o arquivo X da comparação das duas campanhas. Área que está sob o controle do Fluminense e que precisa melhorar no âmbito doméstico. O Campeonato Brasileiro não ficará mais fácil, e a tendência é que a Sul-Americana dê ao time de Diniz o mesmo tratamento a partir de agora. De 1,8 gol por jogo no torneio da Conmebol para 1,3 no campeonato da CBF, a queda é significativa. A diferença está aí.



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