Superdose



A campanha da arbitragem sul-americana contra o auxílio do vídeo tem sido uma propaganda feroz, alimentando, a cada intervenção do VAR nesta região do mundo, a neurose de quem procura um jeito de reclamar até quando a ferramenta acerta. Como o paciente ignorante que desrespeita ordens médicas se impondo uma superdosagem de medicamentos, está evidente o desaforo à intenção do protocolo aprovado. Um erro que carrega duas consequências: ao se usar demais, aumenta a chance de se usar mal. Espera-se que os ingleses, resistentes à tecnologia até a última temporada da Premier League, mostrem o caminho ao aplicar o vídeo como corretor da arbitragem, não como seu supervisor.

Embora seja obrigatório lembrar que o árbitro de vídeo está em ação pela primeira vez, por exemplo, no Campeonato Brasileiro, deve-se observar que a demora para checar lances que parecem simples no primeiro replay (ver: o gol de Gabriel em Corinthians x Flamengo, domingo passado) certamente incomoda, mas é um preço que compensa pagar pela decisão correta e pela proteção do jogo (ver: idem). Há uma tecnologia específica para a análise de jogadas de impedimento que ainda precisa evoluir no tempo que consome, o que, num futuro bem próximo, a tornará eficiente sem causar irritação. Por enquanto, é necessário aprender a esperar e valorizar o acerto.

Também é preciso elogiar, por uma questão de justiça, quando a mesma arbitragem que por vezes parece querer sabotar o VAR, atua para salvar um jogo que se encaminharia para um resultado incoerente. River Plate x Cruzeiro foi assim. As três aparições do árbitro de vídeo (impedimento de Marquinhos Gabriel, toque de mão de Orejuela e pênalti de Henrique) foram indolores e esclareceram ocasiões de impacto no resultado do encontro em Buenos Aires. Na jogada do que seria o 1 x 0 para o Cruzeiro, o assistente ainda merece um aplauso por deixar o movimento seguir e só depois sinalizar a irregularidade, o que permitiria que o gol fosse validado caso o vídeo mostrasse posição legal.

Mais grave do que o equívoco de supor que o VAR deve solucionar todas as questões discutíveis num jogo de futebol é a ideia de que a ferramenta precisa ser infalível para se tornar um benefício. Na semana passada, a anulação de um gol do Internacional quase quebrou o Twitter numa noite em que o “placar do VAR” em quatro jogos foi, no mínimo, 3 x 1. É preciso melhorar – no prazo de duas temporadas, a gritaria será ocasional –, sem dúvida, especialmente no reino da Conmebol e da CBF.



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