Brasil 3 x 1 Peru



1 – As intenções peruanas logo ficaram evidentes no Maracanã: incomodar o Brasil em seu campo e vigiar os corredores laterais. Como a comissão técnica da seleção esperava, imaginando um jogo de paciência e controle.

2 – Por curtos trechos no início, a partida passou a impressão de domínio territorial do Peru, pois a postura efetivamente conteve o jogo brasileiro.

3 – Até Gabriel Jesus aplicar uma finta de corpo em Trauco, criando a separação para receber o lançamento de Dani Alves. O segundo drible no lateral do Flamengo foi bonito, mas nada aconteceria se a bola não chegasse. Cruzamento para a área e gol de Everton, o terceiro dele na Copa.

4 – Era tudo o que o Brasil precisava e o que o Peru não podia permitir. Um gol para modificar os planos e os objetivos em campo. À seleção peruana, a pressão do relógio como inimigo e a obrigação de correr riscos; à brasileira, espaço para jogar e ocasiões para aproveitar.

5 – Depois do que se viu em Itaquera, Everton/Advíncula se apresentava como um dos caminhos até o gol defendido por Gallese. A falha defensiva do peruano, que abandonou o atacante do Grêmio na área, o perseguiria por toda a tarde.

6 – Pênalti marcado para o Peru, aos 40 minutos de um primeiro tempo em que Alisson foi um observador a mais. A bola bateu no braço de Thiago Silva, ao se apoiar no gramado num carrinho. A regra diz que não é pênalti, e a única coisa que o justifica é o VAR ter notado que a mão do zagueiro brasileiro ainda não estava no solo no momento do toque. Guerreiro: 1 x 1. *(ver atualização abaixo)

7 – O placar não era condizente com o jogo, mas o futebol não considera esse tipo de análise. Ainda no final da primeira parte, Firmino se esforçou para fazer um desarme no campo peruano. Do avanço de Arthur para o movimento de Gabriel Jesus da direita para o centro, e para a rede. Brasil novamente na frente.

8 – Dúvida zero sobre a dinâmica da segunda parte: Peru em busca do empate, oferecendo ao Brasil o necessário para um terceiro gol. A questão era como a seleção se posicionaria, com posse e agressividade ou dando um passo atrás, convidando o adversário a seu campo.

9 – Na metade da etapa final, a iniciativa e o momento eram peruanos em pleno Maracanã. Não faltava ao Brasil apenas a ameaça do contragolpe, mas a clareza para impor ao jogo o próprio desejo.

10 – E entre todos os jogadores brasileiros em campo, Philippe Coutinho era quem parecia não identificar as oportunidades para um lance decisivo.

11 – Gabriel Jesus expulso pelo segundo cartão amarelo, aos 24 minutos. Erro grave da arbitragem, que julgou ter visto agressão num lance duro, porém não desleal. Ocasião apropriada para lembrar que a Copa América estava “armada para o Brasil” ganhar…

12 – Assistência, gol e expulsão. A noite de Gabriel Jesus.

13- Em desvantagem numérica, o jogo era obviamente outro para o Brasil. Após trocar Firmino por Richarlison, Tite colocou Militão na lateral, trazendo Dani Alves para o meio, de modo a conter a insistência peruana pelo lado direito da defesa do Brasil.

14 – E Gareca mexeu para a frente, óbvio. Todos os atacantes em campo na procura do empate e de uma hipotética prorrogação com um homem a mais.

15 – Pênalti para o Brasil. Zambrano em Everton. Pela televisão, disputa normal de ombro com ombro, mas o árbitro foi ao monitor e confirmou a marcação. Richarlison, curado de caxumba: gol.

16 – A final que se iniciou em silêncio, como homenagem ao gênio João Gilberto, terminou ao som de “o campeão voltou”.

ATUALIZAÇÃO, segundafeira, 8/7, 20h22: há um erro neste item, quando menciono a possibilidade do VAR ter notado que a mão de Thiago Silva não estava no solo no momento do toque na bola. A regra do jogo não menciona nada a respeito disso.

O que diz o texto mais atualizado sobre situações de mão na bola que NÃO devem ser apontadas como falta: “se um jogador está caindo e a bola toca sua mão/braço, quando estiver entre seu corpo e o chão para se apoiar (mas não estendido para aumentar o corpo)”.

Ou seja, a mão ou o braço NÃO precisam tocar o gramado para que não seja falta, basta que estejam em uma posição natural de suporte do corpo. Desde que não seja com a intenção de aumentar a área corporal e levar vantagem. O lance de Thiago Silva não foi pênalti porque seu braço estava para trás.

Numa regra de difícil interpretação, o uso de “braço apoiado no chão” tem tudo para se transformar no novo “último homem”, algo que não está na regra e é mencionado com frequência para descrever lances em que jogadores impedem, com falta, uma chance clara de gol.



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