Saudades



Embutido nas – justas – reclamações da seleção argentina sobre os lances de possíveis pênaltis no jogo contra o Brasil, certamente há um pensamento complementar que ocorre àqueles que acompanham o futebol sul-americano há mais tempo: “na época de Don Julio isso jamais aconteceria”. De fato, se Julio Humberto Grondona ainda desse as cartas na Associação de Futebol da Argentina, é difícil imaginar a seleção de seu país ocupando quase que inteiramente um pós-jogo contra o Brasil com queixas relacionadas à arbitragem. Especialmente porque o homem que mandou no futebol argentino entre 1979 e o dia em que morreu, em julho de 2014, operava em um esporte sem VAR.

Mas é justamente o árbitro de vídeo que está no centro da discussão do momento, por causa de duas situações de pênalti/não pênalti que não foram objeto de revisão – ao menos não com paralisação do jogo – durante o segundo tempo do clássico no Mineirão. Replays de televisão e imagens de ângulos diferentes sugerem que ambos os lances mereciam a atenção do VAR, em especial o choque entre Daniel Alves e Sergio Aguero, na origem da jogada que terminou com o segundo gol do Brasil. Ali há dúvida sobre quem é o autor da ação faltosa. No caso de Arthur e Otamendi, o pênalti é cristalino. Num arcaico futebol sem arbitragem de vídeo, as duas ocorrências seriam apresentadas como desculpas de quem perdeu, sempre com a ressalva de que poderiam ter escapado ao olho do árbitro; no jogo como é hoje, capaz de eliminar essas dúvidas, convertem-se em suspeita de manipulação.

A Conmebol, que já não ficava bem antes, continua mal na foto. Porque ninguém em sã consciência se julga capaz de crer que a entidade esportiva mais corrupta da história dos esportes passou a se comportar exemplarmente após a adoção do VAR. Por outro lado, a reclamação de Lionel Messi de que “o Brasil controla tudo” [na Conmebol] é uma proposta ainda mais ousada, uma vez que a Conmebol e a CBF não são exatamente melhores amigas desde que o coronel Nunes violou o acordo para votar nos EUA, no Canadá e no México como sedes da Copa do Mundo de 2026. A edição de 2019 da Copa América, que já seria lembrada por gramados em condições inaceitáveis e a lambança que atrasou a chegada do Chile à Arena Corinthians, agora tem uma semifinal em que o VAR não checou duas ocasiões de pênaltis.

De resto, o árbitro equatoriano Roddy Zambrano claramente não estava à altura do jogo que dirigia, perdeu-se em um ambiente mais quente do que podia controlar e tomou decisões questionáveis. Por ironia, algo semelhante aconteceu diversas vezes “na época de Don Julio”.



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