Meio passo



1 – Terminada a cerimônia de abertura no Morumbi, começou um treino do ataque da seleção brasileira com uniforme – linda camisa branca – de competição. A bola não saía da metade boliviana do gramado, como é de se esperar desse encontro em condições normais. Finalizações em cobranças de falta, acionamento de Neres e Richarlison pelos lados, domínio completo de ações.

2 – O primeiro chute da Bolívia ao gol de Alisson se deu aos vinte e quatro minutos, quando o placar de zero a zero, se não incomodava, ao menos já sugeria que o Brasil poderia ser uma equipe mais ousada diante de tamanho desequilíbrio técnico. A superioridade era flagrante, mas o goleiro Lampe não passava apuros.

3 – Sem ter a quem vigiar, a dupla de meio-campistas defensivos era uma preocupação exagerada. Firmino parecia deslocado na movimentação dos atacantes, e a seleção, mesmo com Daniel Alves e Filipe Luís trabalhando como meias em diversas ocasiões, não conseguia iludir a proteção dos bolivianos próxima ao gol.

4 – O motivo, único, de atenção defensiva, era o contragolpe boliviano após o erro de passe ou desarme. Aconteceu apenas uma vez, e nem causou apreensão. Chute torto de Raúl Castro, de fora da área.

5 – Com o placar inalterado no intervalo, aconteceu o óbvio: apupos na saída do time para o vestiário, em clara demonstração de descontentamento de quem foi ao Morumbi, talvez com o barulho mais notável da noite. Tite poderia injetar jogo no meio de campo ou um homem extra no ataque. Só não podia deixar o time como estava.

6 – Quando Nestor Pitana apitou o início da segunda metade, a seleção era a mesma. Mas conseguiu o que queria logo aos dois minutos: o VAR – com as palavras do árbitro audíveis na transmissão pela TV, um passo adiante – pegou um pênalti de Jusino, cortando com o braço a bola chutada por Richarlison. Marcação correta. Philippe Coutinho bateu e o Brasil, enfim, vencia.

7 – Três minutos mais tarde, o segundo gol. De Richarlison, sempre pronto a fazer os companheiros jogarem, para Firmino, e de Firmino para Coutinho cabecear. Um placar mais adequado para a estreia, e menos problemático para as entrevistas.

8 – Por característica, os movimentos de Richarlison seriam ideais para Neymar. Mas a ausência do astro não inviabiliza a forma como o ex-atacante do Fluminense colabora para o bom funcionamento do ataque. Boas leituras e voluntariedade permanente são virtudes que ele inegavelmente possui e ajudam a explicar a posição de titular no início do torneio.

9 – Aparições de Fernandinho na área, muito provavelmente por orientação de Tite, sinalizaram a melhora do Brasil e um jogo mais fluido após os gols. Não foi suficiente para empolgar o público, mas pelo menos reformou a impressão deixada na primeira metade. Gabriel Jesus (Firmino), Everton (Neres) e Willian (Richarlison) entraram no trecho final, com o jogo resolvido.

10 – Esses minutos restantes pertencem a quem quer extrair o máximo da oportunidade. Everton parece ser assim sempre. Acionado por Fernandinho do lado esquerdo, ele cortou para o meio e acertou um chute forte para fazer o terceiro gol da seleção. Três a zero, na frieza dos números, é um placar ok para um Brasil x Bolívia. No jogo jogado, os primeiros quarenta e cinco minutos receberam a crítica merecida.

11 – Pela ideia de que equipes se ajustam ao longo de competições como a Copa América, a estreia mostrou que uma evolução significativa é necessária. Especialmente em relação ao ataque, porém, o Morumbi percebeu que Tite tem cartas a sacar. E se Arthur retornar na segunda rodada, o encontro com a Venezuela, na terça-feira, também pode oferecer uma outra produção no meio de campo.



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