Descompressão



Supor que a seleção brasileira de futebol é melhor sem Neymar é uma fantasia semelhante a dizer que o Golden State Warriors é mais forte sem Kevin Durant. E segue sendo ficção mesmo que se tente explicar, ainda sobre os atuais campeões da NBA, que a perda de um dos maiores jogadores de ataque da história do basquetebol torna Golden State uma equipe “mais difícil de ser marcada”. Não e não. E não sobre o Brasil sem Neymar, para enfatizar. O que não significa que os Warriors, como ficou claro quando o troféu parecia destinado a Toronto, sejam incapazes de vencer sem KD. Algo nessa linha vale para a seleção nesta Copa América, disputada desde o início com a certeza de que o melhor futebolista brasileiro não estará em campo.

O que se pode fazer, ou melhor, se deve fazer, é observar e tentar compreender de que forma a ausência de Neymar – especificamente no contexto atual, com os assuntos extra-futebol tomando a proporção que tomaram – altera o ambiente interno do time, e também a maneira como o público que irá aos estádios responderá ao que vir no gramado. Nos últimos dias, há relatos e comentários aqui e ali sobre semblantes mais leves e uma atmosfera menos tensa, como se não ter de lidar com o tema, as perguntas, as expectativas, o foco sempre direcionado, representasse uma sensação de alívio geral. Fanboys e fangirls: não há aqui qualquer intenção de sugerir que a seleção prefere não conviver com Neymar, está claro? Ocorre que Neymar não está e não estará, e a adaptação a essa situação pode ser positiva.

A começar pelo fator mais determinante para o sucesso em esportes coletivos: o sentimento de união e sua aplicação em um torneio de curta duração. A saída do jogador diferente, daquele de quem se espera o brilho acessível a poucos, leva obrigatoriamente à noção de que “o problema” terá de ser resolvido pelos que estão e solicita o compromisso de todos em torno do objetivo comum. Não, obviamente não quer dizer que, com Neymar, haveria desunião ou jogadores alheios à ideia de grupo. Mas a celebridade que o acompanha também se verifica nessa dinâmica, da mesma forma que o protagonismo compartilhado é um chamado à contribuição de cada um, com doses de responsabilidade repartidas em frações mais equilibradas e distribuídas por todas as direções.

Por último, a impressão de um jogo que não investirá na capacidade de desequilíbrio de um astro em especial não implica, necessariamente, em uma equipe carente de potencial individual. Num cenário em que o espaço deixado por Neymar está disponível para ser ocupado, não faltam, na seleção, nomes que podem se apresentar a partir de amanhã.



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