Duas perguntas



A trajetória do principal futebolista brasileiro na seleção prossegue com dúvidas às portas de um torneio importante. Seja por lesão, como se deu antes da Copa do Mundo da Rússia, ou por questões pessoais – cujo mérito, por evidente, não será abordado aqui -, com a Copa América para começar, o desempenho de Neymar está novamente sob risco. Seu último êxito como jogador data do ano de 2015, quando foi central para a conquista da Liga dos Campeões da Uefa pelo Barcelona. O tempo dá a medida do desperdício.

Embora a CBF e a comissão técnica da seleção, por enquanto, exibam confiança na participação de Neymar no torneio, é necessário lembrar que isso não basta. O próprio jogador pode não se sentir apto ou se perceber forçado – no caso de passar a ser um empecilho para o grupo – a se afastar. A julgar pela decisão de publicar um vídeo no Instagram, que, além de inapropriado, levou a polícia à Granja Comary, conclui-se que os destinos da seleção brasileira não fazem parte das preocupações momentâneas de sua equipe de conselheiros. Não é uma situação que se possa controlar.

De modo que duas perguntas se apresentam. A primeira é se Tite e seus ajudantes projetam uma versão da seleção sem a presença de seu melhor jogador (a propósito, se você crê no devaneio de que o Brasil não precisa de Neymar, interrompa a leitura sem constrangimentos). A resposta é: tudo indica que não. O técnico da seleção declarou que usaria os amistosos de março para fazer o time da Copa América jogar. Com a lesão de Neymar como único impedimento, Tite mudou de ideia e decidiu por outras observações. Conclusão: a equipe imaginada para a competição obrigatoriamente inclui o astro, sem que se pense em um substituto que possa interpretar seu papel.

A resposta para a segunda pergunta é mais complexa. Um time sem Neymar seria capaz de vencer a Copa América? Treinado e preparado durante o período disponível, não há por que dizer que não. Mas como solução de emergência, especialmente nas circunstâncias atuais, a proposta é mais arriscada. Muito provavelmente seria um time com estrutura diferente, enviado ao gramado sem as provas adequadas, sob máxima pressão por estar em casa.

Por outro lado, também por suposição, seria um conjunto alimentado pelo desejo de se mostrar à altura da exigência, o que pode fazer diferença no delicado processo de funcionamento de equipes. Perder Neymar certamente não é um cenário que torna as noites de Tite mais confortáveis, mas uma realidade que pode se impor de repente, sem aviso.



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