Sorria…



A notícia da semana no futebol brasileiro, onde ele é jogado, foi a classificação do Bahia para as quartas de final da Copa do Brasil. Não por significar a queda de um clube que opera com maior orçamento e tem um elenco mais caro, mas por ter sido o resultado natural após dois encontros em que o time que se destacou pelo desempenho coletivo foi o dirigido por Roger Machado. Por coincidência de calendário, pode-se adicionar um terceiro jogo – pelo Campeonato Brasileiro – a esta sequência, em que o Bahia também foi superior na maior parte do tempo, embora o placar não tenha se alterado. Quando equipes se enfrentam em dupla eliminatória, é frequente que o conjunto mais capaz prevaleça no balanço da competição e das ocorrências aleatórias. Após essa amostra de três jogos, é seguro dizer que o Bahia segue na Copa do Brasil por ser, hoje, melhor time do que o São Paulo.

Mesmo condicionado pela vantagem estabelecida no Morumbi, o jogo em Salvador foi o que exibiu com maior clareza as distâncias atuais entre os trabalhos de Roger e Cuca, iniciados praticamente no mesmo dia. O time baiano soube desligar qualquer mecanismo que o São Paulo apresentasse no primeiro tempo, período em que a partida não foi atraente em vários aspectos, mas atendeu plenamente à estratégia de quem comandava a situação. Na segunda parte, a dinâmica ficou tão favorável ao Bahia, que até são-paulinos notaram que o gol que colocaria o confronto para descansar sairia a qualquer momento. Só não se poderia prever que seria em um contra-ataque finalizado por um zagueiro, Ernando, exibindo ótimo senso de posicionamento ao retardar o movimento e se colocar em condição para o passe, além de capacidade de conclusão ao iludir Tiago Volpi com um toque de classe.

Comprimido ao se defender, o Bahia simplesmente não permite que o jogo adversário se desenvolva em seu campo. Com a bola, sabe se moldar às circunstâncias que se apresentam. Os comportamentos que dependem da dedicação de todos os jogadores de linha foram notados nas passagens de Roger pelo Atlético Mineiro e até pelo Palmeiras, mas, aparentemente, sem os mesmos efeitos que sua atual equipe tem demonstrado. Sim, a oferta ainda é pequena e o sucesso em um confronto específico não deve ser tomado como regra para o que está adiante, mas num ambiente de futebol em que a construção de padrões de atuação é cobrada sem as condições necessárias, é preciso identificá-la quando aparece. Isto não é um indiciamento de Cuca – que também começou a trabalhar nos primeiros dias de abril – pois os contextos obviamente são distintos. Mas o encaixe entre a proposta de Roger e a produção do Bahia é notável não só na Copa do Brasil, mas na campanha neste início de Campeonato Brasileiro.

Exigir desempenho e resultado após dois meses é mais uma prova da insanidade com que se faz futebol no Brasil, especialmente em clubes que se imaginam obrigados a ganhar todos os dias e submetem comissões técnicas ao aspecto prejudicial dessa expectativa. Roger e seus ajudantes foram vítimas dessas premissas em clubes que não respeitaram os processos de formação de equipes e optaram pelo recomeço (um deles, o Atlético Mineiro, ainda se encontra nesta posição). No Bahia, que se conduz e se comunica de maneira diferente do que normalmente se vê no país, o técnico gaúcho pode ter encontrado o cenário adequado para desenrolar o jogo no qual acredita. De acordo com o que se ouve de quem acompanha o trabalho com proximidade, sobram elogios sobre os métodos e os relacionamentos na rotina do time que o São Paulo não conseguiu decifrar.



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