O que quer o Cruzeiro?



A reportagem de Gabriela Moreira e Rodrigo Capelo sobre irregularidades nas finanças do Cruzeiro foi ao ar no domingo à noite, no Fantástico, e, enquanto você lê essas linhas (como sempre, obrigado por ser um leitor), Itair Machado continua operando como vice-presidente de futebol do clube. Não fosse este o futebol brasileiro – você não acha que o Cruzeiro inventou as práticas que hoje são objeto de inquérito policial, acha? – a entrevista coletiva realizada na segunda-feira teria durado apenas o tempo do anúncio da demissão de mais um cartola especializado em dinheiro que não tem dono.

Mas não. Como se trata do Brasil e do ambiente futebolístico, o senhor Itair não só se julga no dever de explicar – muito mal, diga-se – o que não tem explicação, como no direito de ameaçar o repórter Vinicius Nicoletti, da Fox Sports, diante de câmeras e microfones. Apenas essa demonstração de truculência, para usar um termo gentil, já deveria bastar para o Cruzeiro se livrar de um dirigente envolvido em histórias mal contadas, entre elas a própria remuneração. A propósito, a discreta presença do presidente Wagner Pires de Sá no encontro com os repórteres evidenciou quem de fato dá as cartas no clube, o que não surpreende.

Itair Machado lida com uma investigação criminal, mas acha que só deve satisfações ao torcedor do Cruzeiro. É o velho “nós contra todos” de sempre, estratégia que ignora que quem quer o bem do Cruzeiro, e não quer nada do Cruzeiro além de um bom motivo para se relacionar com o futebol, não se sente adequadamente representado por cartolas que lucram enquanto o clube se endivida. Suspeitas de falsificação de documento particular, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro não se resolvem em entrevistas coletivas em que, mesmo com flagrante dificuldade para se expressar, fica clara a intenção de confundir. A apresentação de um documento assinado um dia depois da reportagem ir ao ar é um exemplo do despreparo do comando do clube, além de um atentado à capacidade alheia de avaliar o que se passa. Não deveria satisfazer nem mesmo os fanáticos.

O Cruzeiro não é o único clube em que essas coisas acontecem, o que não significa, evidentemente, que o caso deva ser tratado como algo sem importância. Enquanto as investigações prosseguem, um clube que se supõe digno da confiança de sua torcida precisa se apresentar como tal, ou seja, assumindo as próprias responsabilidades e se corrigindo com transparência.



MaisRecentes

Enquanto isso, na NFL…



Continue Lendo

Visita Técnica



Continue Lendo

Não é patinação



Continue Lendo