Equipes



Um grupo de “torcedores” do Barcelona abordou Lionel Messi no aeroporto de Liverpool, após a maravilhosa – não para os tolos mencionados, obviamente – partida pela Liga dos Campeões. O melhor jogador do mundo foi insultado pelas cavalgaduras, num episódio equivalente aos comentários que discordam de tuítes sobre catolicismo escritos pelo Papa Francisco. É esse o mundo de hoje; todos sabem de tudo e se julgam em posição de discutir com quem, de fato, sabe.

Onde estaria o Barcelona se não fosse Messi? Os gênios que o desrespeitaram no aeroporto não fazem ideia, porque evidentemente não fazem ideia sobre nada, e aí está uma das tristes confusões a respeito do impacto individual no resultado de jogos de futebol. Quando não se é capaz de entender por que se vence, é impossível descobrir por que se perde.

Jurgen Klopp foi duramente criticado após a derrota do Liverpool no Camp Nou, especialmente por declarar que estava orgulhoso do desempenho de seus jogadores na aplicação de um plano arrojado. Os ingleses foram superiores por longos trechos do jogo de ida, a ponto de ficar claro que a distância de três gols não traduziu o que o encontro mostrou. A diferença foi a genialidade de Messi, e isso até os quadrúpedes do aeroporto conseguem enxergar. O que lhes escapa é o absurdo de esperar que atuações alienígenas sejam a norma e permitam a um time defeituoso sobreviver a um assalto dessa máquina impiedosa que é o Liverpool de Klopp em casa.

Klopp sabia por que tinha perdido em Barcelona e enfatizou suas convicções na volta, mesmo na ausência de dois dos seus principais jogadores. Na véspera, o treinador alemão brindou o mundo do futebol com uma das mais significativas expressões de sua maneira de sentir o jogo: “Vamos tentar. Se conseguirmos, será maravilhoso. Se não, falharemos da maneira mais bonita”, disse. A frase tem tanto ou mais valor fora do ambiente do esporte, mas só para quem estiver disposto a compreendê-la. Klopp é um proponente do futebol corajoso, o que ajuda a entender a noite de terça-feira em Anfield, embora não seja a única razão para a desossa do Barcelona. A presença de Messi em campo aumenta a magnitude do feito do Liverpool, com fúria e precisão, fé e inteligência, coração e estratégia.

Há quem não reconheça a existência de equipes, porém. Como se tudo pudesse ser atribuído a um nome, uma jogada, um gol. É o que torna incrivelmente fácil dissertar sobre resultados, ainda que não se passe perto do que aconteceu na realidade. Com certos jogadores é assim: se a vitória se explica por eles, o mesmo se dá com a derrota. Não há sentido algum, mas faz tempo que o sentido deixou de ser importante.



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