Impedido



Juan relembra com especial orgulho a decisão da Copa América de 2007, quando o Brasil mandou 3 x 0 na Argentina – com Zanetti, Mascherano, Verón, Riquelme, Messi e Tévez em campo – em Maracaibo, na Venezuela. “Foi meu único jogo como capitão da seleção”, diz o agora aposentado zagueiro que deixará saudades por todas as camisas que vestiu. A declaração faz parte de um “Bola da Vez” que a ESPN Brasil exibirá com personagens do torneio sul-americano de seleções, que terá sua quadragésima-sexta edição em estádios brasileiros entre junho e julho.

Se Juan (uma década, 78 jogos, 7 gols e conduta exemplar) ainda servisse a seleção brasileira, não haveria qualquer dúvida sobre quem levaria a faixa no braço. Ele representava não só a liderança frequentemente associada ao “cargo”, mas também a hierarquia silenciosa que impõe respeito no gramado e no vestiário. É exatamente a ausência de sucessores no time atual uma das razões da escolha por Neymar como capitão do time. Não, isso não faz de Tite seu responsável legal, mesmo porque Neymar, além de ser maior de idade, tem um pai bastante próximo e atuante. Mas, sim, o comportamento do capitão da seleção no âmbito do jogo evidentemente é assunto do treinador da equipe.

A ideia da não convocação de Neymar para a Copa América por causa da agressão – inexplicável, inaceitável e de punição necessária pelo PSG e pela federação francesa, independentemente de ter sido provocado – a um espectador no Parque dos Príncipes é uma tolice. A relação com a geladeira a Douglas Costa, há sete meses, por cuspir em um adversário na Itália, não cabe. Douglas deixou de ser chamado para dois amistosos; Neymar está às portas de um torneio de extrema importância para a seleção, para ele mesmo e para Tite. Não é a convocação de Neymar que levará o técnico a um flerte de incoerência com os próprios critérios, mas a manutenção de seu melhor jogador como capitão é perigosa.

Tite declarou a intenção de “dar maior responsabilidade” a Neymar dentro de campo, uma iniciativa que certamente estava acompanhada pelo desejo de ter o futebolista mais influente do time comprometido com os aspectos coletivos. Ocorre que o episódio do último sábado em Paris impõe o questionamento se essa ideia faz qualquer sentido. O capitão de um time de futebol é um representante de seus companheiros e de seu treinador. Não é possível que no vestiário da seleção brasileira – onde não há funcionários da empresa Neymar Júnior – , haja alguém que compactue com violência.



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