Ceni acerta



Excluindo aspectos pessoais que sempre desempenham um papel importante em qualquer decisão, e também a questão conceitual a respeito de cumprimento de contratos, a permanência de Rogério Ceni como técnico do Fortaleza é um acerto profissional sob qualquer ponto de vista. A recusa a um clube de maior estatura nacional, que obviamente significaria uma valorização financeira, também diferencia o ex-goleiro no panorama geral dos movimentos feitos por treinadores de futebol no Brasil.

Ceni já venceu o título estadual em 2019, significativo no âmbito da rivalidade local. A Copa do Nordeste apresenta a possibilidade de outra conquista, mas é o Campeonato Brasileiro que oferecerá o julgamento sobre seu trabalho no Fortaleza. Sem correr o risco de estabelecer objetivos exageradamente modestos, parece claro que concluir a última rodada acima da décima-sétima posição converterá a temporada em missão cumprida. Não que seja simples, mas a noção equivalente a essa num clube com o Atlético Mineiro – apesar dos anos seguidos escrevendo um manual de como não fazer futebol – seria, como mínimo, uma classificação para a Copa Libertadores de 2020. Com um elenco que Ceni não conhece e a responsabilidade de solucionar problemas que não lhe pertencem. Faça as contas.

Só há um caminho possível para o Atlético: desligar a porta giratória pela qual técnicos passam como se fossem colaboradores temporários. Talvez essa decisão tenha sido tomada agora, com a contratação de um executivo para gerenciar o departamento de futebol, protegido da fogueira de vaidades e do ambiente político. A coletividade precisa compreender que nada acontece sem o respeito ao processo de montagem de equipes, mesmo em uma “cultura” de jogo que insiste em fazer as coisas ao contrário. A escolha do próximo treinador é fundamental para essa reforma de método, o que implica em convencer profissionais a implementá-la. Tiago Nunes e Rogério Ceni preferiram o que já conhecem.

Quanto a Ceni, a aversão a mudanças repentinas só seria superada por uma eventual insatisfação momentânea com o clube ou pela descrença na capacidade do time. Quem o viu comemorando os gols do Fortaleza na decisão estadual teve a impressão de um técnico em total sintonia com o ambiente que o cerca. Há ocasiões em que o melhor a fazer é não fazer nada.



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