Desastre



O episódio com Jean é o sinal mais claro do desgoverno no futebol do São Paulo, a página mais constrangedora do manual de como não fazer as coisas que vem sendo aplicado, à risca, desde os últimos meses da temporada de 2018. Ainda mais assustador do que o compêndio de equívocos é o fato de se dar sob a supervisão de dois ex-jogadores absolutamente capacitados para ao menos evitar acidentes esperando para acontecer. O dia a dia são-paulino se converteu numa tragicomédia de baixo orçamento, tal o nível de previsibilidade de que dará tudo errado. É até difícil de acreditar.

Importa pouco, de fato, se procedem as reclamações do goleiro sobre o tratamento que recebe de Vagner Mancini, ou se há relação do problema atual com a época em que ambos coincidiram no futebol baiano. O que interessa é que o São Paulo voltou a gerar notícias desagradáveis em 2019, desta vez por causa de um desentendimento entre um atleta que não atua e um treinador tampão. A maneira como Jean se referiu a Mancini em publicação no Instagram – “o técnico interino…” – é, ao mesmo tempo, um evidente ato de menosprezo e mais uma prova do erro da diretoria ao tentar construir uma ponte entre a saída de André Jardine e a chegada de Cuca.

Ao estabelecer essa transição incomum num ambiente em que a hierarquia técnico-jogadores precisa ser exercitada diariamente, o São Paulo comunicou a quem possa interessar que o período sob a direção de Mancini não tinha qualquer significado. Isto inclui, obviamente, os principais envolvidos na decisão: os futebolistas. Não haveria mínima possibilidade de uma dinâmica saudável, no aspecto competitivo ou na rotina semanal, a partir do momento em que todos sabiam que o comando era provisório e que o trecho do calendário até o aparecimento do técnico definitivo tinha sido descartado. Como cobrar desempenho, ou mesmo conduta, quando o técnico não é técnico e os jogos não têm valor?

É natural que a autoridade seja testada constantemente em times de futebol e que este aspecto do trabalho de treinadores tenha cada vez mais importância. Trata-se de um equilíbrio sensível, sempre sujeito a situações que precisam ser corrigidas, na maior parte das vezes sem que o público tome conhecimento. Mas o que houve no São Paulo nesta semana se diferencia por ser o produto de um plano desastrado que não saiu da mente de neófitos ou incompetentes seriais, mas da lavra de Raí e Lugano, certamente experientes para saber o que estava por vir.



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