Cura



O nível de ódio endereçado a Vinicius Júnior nas redes antissociais é doentio. Não se pode considerar normal nem se o garoto tivesse comprado um lugar num colosso do futebol mundial, pagando seus concorrentes de posição para deixá-lo jogar antes do que se planejava. Sabe-se, claro, que é exatamente o oposto: a desastrosa temporada do Real Madrid (encerrada em uma semana após três jogos em casa contra o que se convencionou chamar de “Barçajax”, o que machuca mais) enxergou no atacante brasileiro uma saída do atoleiro. Sua presença no time titular foi solicitada.

E ele correspondia brilhantemente até se machucar. Brilhantemente. Menos para quem se julga conhecedor do funcionamento do futebol a ponto de determinar, do alto da importância do próprio sofá, que um futebolista ainda em formação tem obrigação de acertar em todas as oportunidades que surgem. Ou que um jovem milionário candidato a astro planetário tem de absorver as pancadas em silêncio, no mínimo, mas melhor seria se sorrisse. É vergonhoso. Pois quando a origem de tanta radioatividade não é a inveja ou o preconceito, é o fato de Vinicius ser associado ao Flamengo, como se isso justificasse o desejo de quem não é Flamengo pelo seu fracasso. Ou então é a combinação de todas essas forças, quer dizer, fraquezas. De caráter.

O ataque do Real Madrid é um território monárquico no futebol. Basta pensar nos nomes que o habitaram ao longo dos tempos. Eis que as coisas andaram tão mal que um clube dessa magnitude teve de olhar para um rapaz contratado para ser parte do futuro, buscando em seus pés o alívio imediato. Mesmo que seus fundamentos técnicos ainda precisem de polimentos. Mesmo que seu corpo ainda esteja em desenvolvimento. Mesmo que suas habilidades ainda não se apresentem com a exuberância necessária para um trabalho tão exigente. Mesmo praticamente desconsiderando o processo de adaptação. Ele não apenas se entendeu rapidamente com os companheiros, como recebeu elogios em tom de agradecimento pelo desempenho. Mas os especialistas de twitter brasileiros “pensam” diferente.

A parte verdadeiramente triste dessa história é a lesão no tornozelo. Não há momento apropriado para um jogador se machucar, mas há ocasiões em que o preço cobrado parece pesado demais: no caso de Vinicius, o chamado da seleção brasileira e a perspectiva de disputar a Copa América. O tempo pode demorar a passar, mas Vinicius voltará inteiro, saudável. Quem o chamou de pipoqueiro, por outro lado, não tem cura.



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