Perfil baixo



Os diários esportivos de cada cidade seguem cobrindo os encontros entre Barcelona e Real Madrid como reality shows futebolísticos, mas o drama já esteve em níveis muito mais altos. Obviamente a tensão entre técnicos jamais voltará aos tempos de Mourinho x Guardiola, mas até mesmo em relação ao que importa, o jogo, o grande clássico espanhol vive dias de baixa estação. Cristiano Ronaldo não está mais por perto e o Real Madrid sofre para reencontrar o elã que costumava acompanhá-lo. Lionel Messi permanece do lado oposto, mais importante e mais solitário do que nunca.

A tradição de esquentar a prévia do encontro na Copa do Rey gerou uma declaração de Vinicius Júnior, estampado nas primeiras páginas dos tabloides de Madri com a frequência de um ator consagrado em revistas de celebridades, recebida com má compreensão. Instado a falar sobre Messi, o jovem brasileiro que colaborou para resgatar a temporada do Madrid disse que “[Messi] É incrível, mas não assusta ninguém”. A resposta padrão de um jogador do rival sobre a figura que personifica o Barcelona foi entendida, especialmente no Brasil, como uma demonstração de arrogância. Tolice. Ninguém que o conhece tem dele essa impressão.

Vinicius esteve envolvido nas principais ocasiões do primeiro tempo no Bernabéu: um passe – se fosse rasteiro, o trabalho do francês seria facilitado – para deixar Benzema em condições de superar Ter Stegen; e uma finalização de pé esquerdo, bem próxima ao gol, que ele certamente lamentará por alguns dias. Além de exibir os defeitos coletivos que o caracterizam neste momento, o Barcelona foi incapaz de acionar a solução individual que tem sido sua salvação durante toda a temporada. A bola não chegou a Messi entre as linhas de marcação brancas, problema que a ausência de Arthur provavelmente agrava. O primeiro tempo foi tímido até para os tempos atuais, mas condizente com duas equipes que não conseguem se aproximar de suas melhores versões.

Três gols na segunda parte, dois marcados por Suárez e um que ele obrigou Varane a anotar contra, deixaram o Barcelona em posição confortabilíssima para vencer mais uma vez em Madri com uma atuação opaca e sem Messi em noite de desequilíbrio. O que diz muito a respeito de uma partida estranha e talvez diga ainda mais sobre o estado de forma do Real Madrid. As manchetes não serão agradáveis. Uma derrota eliminatória em casa num clássico é sempre pesada, mesmo que o encontro não tenha o conteúdo de outrora.



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