#loucura



A era da imbecilidade orgulhosa é farta em espetáculos do absurdo. Enquanto Fluminense e Vasco decidiam a Taça Guanabara, no domingo, num Maracanã usado com irresponsabilidade quase criminosa, o perfil oficial da Ferj no twitter atualizava o andamento do jogo com hashtags como #omaisvisto e #omaischarmoso. Tente conciliar essas expressões com os maus tratos ao público e o risco de acontecimentos trágicos fora do estádio, e a conclusão será um nível doentio de desconexão da realidade, algo comparável com uma briga por um lugar na areia enquanto o tsunami se aproxima.

É difícil crer que não foi uma trama arquitetada por mentes maquiavélicas, tal o patamar de insanidade. Um autêntico manual de como esculachar um jogo de futebol, com fabricação do descontrole popular para produzir cadáveres nas ruas. O que se viu no Rio de Janeiro, com envolvimento dos clubes, da federação e até da Justiça, foi um atentado ao torcedor de futebol. O plano não teve sucesso por falta de sorte, mas mesmo que houvesse mortes ou feridos graves, o twitter da Ferj seguiria falando em #futebolraiz.

O que é isso, porém, diante da abordagem corporativa do Flamengo no trato da catástrofe ocorrida em seu próprio centro de treinamentos? Alguém foi capaz de escrever – e outros foram capazes de aprovar – uma nota oficial em que o clube mencionou o caso da Boate Kiss para se auto-elogiar no que diz respeito ao pagamento de indenizações às famílias das vítimas. O clube também informa que, considerando a tabela de precificação de vidas humanas perdidas, fez ofertas mais generosas do que as habitualmente praticadas. O nível de equívoco da comunicação do Flamengo neste episódio é simplesmente intolerável.

Isto não é uma negociação que requer o emprego de habilidades e estratégias para alcançar um objetivo estabelecido e comemorado ao final. É um processo de extrema sensibilidade, em que um clube de futebol precisa entender o tamanho de sua representatividade e transmitir seu senso de honradez. Não é uma questão de números, mas de dignidade. A importante diferença entre preço e valor deveria ser evidente quando se trata da imaterialidade. O que pode ser mais valioso para o Flamengo do que a pureza de um sonho compartilhado?



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