Avalanche



A intensa programação de jogos do campeonato inglês na virada do calendário costuma ser a salvação dos dependentes de futebol. Neste início de ano, a ajuda oferecerá mais do que partidas interessantes com os melhores times ingleses envolvidos em encontros que entretém, mas não necessariamente sequestram atenções: a visita do Liverpool ao estádio do Manchester City tem um peso determinante na corrida pelo título, além de ser um choque entre equipes dirigidas por técnicos frequentemente mencionados quando o tema é o que se chama de “futebol atraente”.

Pep Guardiola e Jurgen Klopp trocaram cordialidades na prévia do jogo de logo mais. Ambos usaram a expressão “melhor time do mundo” para se referir ao adversário, com sutilezas que diferenciam cada lado. Guardiola adicionou “no momento”, em clara menção ao primeiro turno histórico que posicionou o Liverpool com sete pontos de folga na liderança da Premier League. Klopp usou “ainda” para reforçar que as derrotas recentes do City não alteraram a forma como ele enxerga o oponente, atual campeão inglês e terceiro colocado na classificação.

Adicione que o técnico alemão é quem ostenta o melhor retrospecto de enfrentamentos com o catalão, lembre que o histórico de partidas decisivas entre eles remonta aos dias em que trabalhavam na Bundesliga, e o que você terá é um jogo de futebol obrigatório nesta quinta-feira, três de janeiro, época em que a comida das festas ainda não foi totalmente processada e o tempo passa com a preguiça de quem não dormiu direito. Não na Premier League e definitivamente não para os times de Fernandinho e Firmino, De Bruyne (presença não confirmada) e Salah.

Entre o “no momento” e o “ainda”, Guardiola está mais próximo da razão. Não há time no mundo que queira enfrentar o Liverpool na fase atual, em que a fábrica de caos de Klopp opera em modo full. A diferença de pontuação obviamente injeta pressão sobre o City, pois uma derrota levaria a questão para intransponíveis dez pontos. Para os campeões, é uma final com todas as letras, especialmente se o resultado for ruim, o que aumenta a curiosidade sobre como Guardiola desenhará seu time em uma situação limítrofe.

No primeiro turno, o City foi capaz de conter a máquina de Klopp com uma versão futebolística de controle de avalanches: posse defensiva, paciência no nível budista e negação de campo para o Liverpool correr. Um pênalti (mal marcado) desperdiçado por Mahrez manteve o empate a zero. Guardiola assinaria outro jogo assim num piscar de olhos.



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