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Jorge Sampaoli tinha propostas do futebol chinês e da Major League Soccer, obviamente para ser remunerado com múltiplos dos valores que o Santos lhe ofereceu para o que ele qualifica como seu “maior desafio” profissional. O fato de assinar um contrato de duas temporadas para trabalhar no futebol brasileiro representa o desejo de retomar a carreira num centro em que, apesar de tantos defeitos, o jogo é mais importante do que a imagem ou o dinheiro. Não apenas o Santos deveria estar esperançoso por causa da escolha, o tipo de novidade agradável para o ambiente futebolístico do país.

Sampaoli surpreendeu seus interlocutores com o nível de informação a respeito do elenco santista e também pelas opiniões formadas sobre determinados jogadores, reflexo de uma forma não convencional – para os padrões locais – de enxergar a montagem de grupo e equipe. O Santos o contratou imaginando um produto final e provavelmente seguirá se surpreendendo com seus métodos de trabalho até que todos se conheçam, um processo que não tem prazo determinado e exigirá não apenas compreensão mútua, mas a vontade de alcançá-la. Haverá?

Com o risco de algum exagero, só existem dois caminhos possíveis: ou Sampaoli mostrará resultados imediatos e empolgará aqueles cujo interesse não vai além dos prazeres efêmeros, ou a comunidade do futebol santista tomará a decisão de se comportar de forma diferente. A primeira opção, improvável, poderia satisfazer os apressados, mas teria o único benefício de comprar tempo. A segunda, quase utópica, permitiria que a comissão técnica recém-contratada se adaptasse às particularidades do futebol no Brasil e fizesse um trabalho autoral que não gera frutos da noite para o dia.

Das escolhas de escalação às substituições, passando pelo posicionamento de jogadores e por experiências que podem não ser bem-sucedidas, o santista terá de se acostumar a um futebol diferente. Mais: terá de apostar nele, apesar das vozes descrentes nas ruas, nas arquibancadas e aos microfones, sempre propagando a ideia de que “o berço de Pelé e Neymar” tem de golear todos os adversários. A aceitação a Sampaoli é um sinal promissor, mas é nos empates com times pequenos na Vila com meia ocupação que o verdadeiro apoio se revela.



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