Amanhã



Jorge Sampaoli e um componente de sua comissão técnica desembarcarão em São Paulo no final da tarde deste domingo. A primeira conversa presencial com o presidente do Santos, José Carlos Peres, deve acontecer à noite, na capital, onde mora o dirigente. O plano é que o técnico argentino permaneça no Brasil por cerca de três dias, período em que será levado a Santos para conhecer a estrutura do clube e a Vila Belmiro. E assinará o contrato para dirigir o time a partir de 2019, claro, se as coisas andarem bem. O futebol está repleto de histórias sobre acordos que estavam 99% sacramentados, mas não se realizaram. Embora questões sempre possam surgir até que as assinaturas estejam nos papeis, não há qualquer antecipação de problemas de última hora.

O Santos enviou a Sampaoli uma proposta de trabalho em que constam os salários da comissão técnica (ele deve ter três ajudantes) e os detalhes das premiações por objetivo, pedindo que o técnico devolvesse o documento assinado, se estivesse de acordo. Assim se deu, por isso o tweet no perfil oficial do clube mencionava um “aceite” entre as partes na quinta-feira. Agora a questão é basicamente de linguagem, com a conversão da proposta em um contrato formal de dois anos e as devidas assinaturas. Peres trabalhou sozinho nos contatos iniciais com o treinador, mantendo o sigilo solicitado por Sampaoli como condição para que a negociação tivesse sucesso. A vinda do técnico ao Brasil é o óbvio sinal de um compromisso prestes a ser firmado.

Os clubes do futebol brasileiro são organismos essencialmente políticos, cada um com suas particularidades internas de poder e vaidade. Em quase todos, as forças que agem no dia a dia exigem decisões tomadas levando em consideração os desejos dos variados grupos que convivem nas sedes sociais, nos conselhos e até nos centros de treinamento. A contratação de treinadores é sempre um movimento sensível que, especificamente no Santos, sofre a influência da saudade deixada por Vanderlei Luxemburgo. É constante o fomento pelo retorno do técnico que conquistou seu último título de expressão em 2004, pelo clube santista. O que determina a escolha por nomes que tenham sustentação. Peres entende que Sampaoli cumpre essa necessidade, pelo currículo internacional e pela visão de futebol associada ao bom jogo e à ofensividade.

O momento remete ao ano de 2013, quando o Santos se aproximou de Marcelo Bielsa a ponto de quase contratá-lo. À época, o técnico que atualmente dirige o Leeds na segunda divisão do campeonato inglês chegou a preparar um dossiê a respeito dos jogadores santistas que impressionou, pelo nível de detalhe, os dirigentes que trataram com ele. Quem tem conversado com José Carlos Peres sobre a familiaridade de Sampaoli com o clube ouve algo como “ele conhece mais o Santos do que muita gente que vive lá”. Sampaoli é um aluno de Bielsa em vários aspectos do trabalho de treinadores, entre eles a obsessão pela informação.

A ideia do Santos é criativa, oportuna e deve ser aplaudida pelos benefícios que pode representar não só para o clube, mas para o futebol no Brasil, pelo intercâmbio de conhecimento, ideias, métodos. Sim, o mesmo se disse sobre as passagens de técnicos que também vieram de outros países, como os colombianos Juan Carlos Osorio e Reinaldo Rueda, e infelizmente não tiveram tempo suficiente para se acostumar a certas características do ambiente brasileiro. Que com Sampaoli o enredo seja diferente, mas essa é uma conversa para outro dia. Primeiro, o Santos precisa concluir a contratação. Amanhã será um domingo sem jogo, mas com torcida.



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