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Esta coluna foi escrita antes da final da Copa Sul-Americana, de modo que não deve ser lida à luz da primeira conquista internacional do Club Athletico Paranaense ou de uma grande decepção que possa ter ocorrido na Arena na noite de ontem. E a página é fechada por volta de 20h, excluindo a possibilidade de fazer duas versões e publicar a certa (ou a errada, como já se deu tantas vezes na história dos jornais…). De qualquer forma, o tema é o time que nasceu na terça-feira, e não o time que jogou na quarta.

“Nasceu” pode soar exagero, mas, com um novo escudo, novos uniformes e um nome reformado, é razoável dizer que se trata da apresentação de uma entidade que pretende se diferenciar e não mais olhar para trás. Distinguir-se até de si mesma. Além de um passo arrojado e corajoso, é uma forma inovadora, no Brasil, de lidar com as tradições que alimentam o futebol e situar o clube para um futuro que valoriza outros aspectos. A criação de uma marca talvez seja o mais importante deles.

Um distintivo, algo comum a todos os clubes, é um símbolo, não necessariamente uma marca. A marca vai bem mais longe. Enquanto um restaurante com o distintivo antigo do Atlético Paranaense sempre remeteria ao refeitório dos atletas, um bar com a nova marca (as quatro faixas abaixo das letras CAP) teria – terá? – um apelo distinto. O mesmo vale para peças de roupa, joias, acessórios… qualquer coisa que se queira vender para um público que adora o clube mas não a ponto de se sentir confortável ostentando as três letras entrelaçadas usadas até o início da semana.

Foi o que a Juventus fez ao repaginar seu brasão e lançar uma imagem que pode ser reconhecida até mesmo fora do ambiente do futebol, como um logotipo. O choque provocado pela ruptura com o que sempre se associou com a identidade do clube é natural, assim como o debate sobre a “propriedade da paixão”, mesmo em lugares, como a Itália, em que clubes de futebol têm donos. No Brasil, o Athletico começa a trilhar esse caminho para modificar a percepção pública do que é e do que pretende ser, embora esteja claro que o que acontecer no campo será determinante.

Neste âmbito, o Athletico já estava muito bem posicionado em termos estruturais e humanos para crescer no ecossistema do futebol brasileiro e da América do Sul, repetindo campanhas como a desta Copa Sul-Americana. O tratamento de imagem, diga-se, menos complexo do que seria em diversos outros clubes do país, permite planejar outro tipo de conquistas.



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