Falante



A entrevista de Rodrigo Caio ao Esporte Interativo gerou repercussão compatível com o teor de suas declarações, como é natural, mas teve o aditivo de evidenciar que o zagueiro formado pelo São Paulo não se enxerga mais lá. Entre as razões apresentadas, há uma queixa embutida por ser um caso raro de jogador sempre disposto a dar explicações públicas, como se isso o tivesse convertido em uma espécie de porta-voz de fases ruins. A leitura não pode ser essa, por parte de quem o entrevista, de quem o ouve falar e, muito menos, dele próprio.

Ser um jogador disponível após as partidas não deveria gerar arrependimento, ao contrário. Em um mundo ideal, o relacionamento profissional de futebolistas com os meios de comunicação seria pautado pela consistência: os que falam sempre e os que não falam nunca. Mas no mundo real há os que falam apenas quando convém, o que – evidentemente respeitando o direito de cada um, em qualquer profissão/posição, de decidir sobre dar entrevistas ou não – complica um pouco as coisas. A carta da conveniência é sacada conforme o balanço do ônus e do bônus.

Rodrigo costuma agir de outra maneira. Solícito, é a segurança dos repórteres que habitam as zonas mistas dos estádios, pela frequência com que se dispõe a atendê-los. O fato de o São Paulo atravessar um período insatisfatório valoriza sua conduta, independentemente das opiniões a respeito de seu desempenho. Ao invés de aplicar um rosto determinado ao fracasso coletivo, deveria haver curiosidade sobre a ausência de mais gente visível nessa hora. Nos momentos saborosos, faltam microfones para tantas disponibilidades.

Em ambientes esportivos mais maduros, aqueles jogadores com os quais se pode contar para transmitir ao público o que se passa internamente, sobretudo quando as coisas não vão bem, são as chamadas vozes de liderança, referentes, respeitadas. Eles não rejeitam essa posição ou a consideram um fardo. É uma consequência do que representam. O problema de Rodrigo Caio no São Paulo não é personificar temporadas decepcionantes, uma ideia distante da realidade de um esporte em que jogam onze de cada lado. É não ter conseguido atuar bem regularmente nesse período, como tantos outros jogadores do clube.



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