O início



1 – Quinze minutos foram suficientes para a seleção brasileira estabelecer sua maior iniciativa e conseguir duas finalizações contra o gol defendido por Campaña. Nenhuma surpresa, já que a postura natural do time uruguaio é se defender primeiro. Com Neymar partindo da esquerda para o centro e trabalhando como organizador, o Brasil vivia no campo de ataque, mas somava mais passes errados do que Tite gosta de ver.

2 – Um deles, de Danilo, se deu nas proximidades da área de Alisson e presenteou Luis Suárez com uma visão clara do gol. Teria sido, se o goleiro brasileiro não desviasse a bola para escanteio. Não dar a Suárez e Cavani nada além do que já são capazes de criar é uma obrigação de qualquer time que enfrenta o Uruguai.

3 – O nível do amistoso caiu a partir da meia hora, porque a marcação do Uruguai melhorou e a articulação brasileira no ataque não encontrou espaços. Aos poucos, o encontro se embruteceu no meio do campo, gerando momentos desagradáveis até para observadores neutros. A única ocasião foi uma bola alçada por Suárez para Cavani finalizar. Alisson espalmou e o primeiro tempo terminou com a sensação de que os dois times em campo podem fazer mais, uma leitura pior para a seleção brasileira.

4 – Embora Neymar tenha se movimentado com fluência e procurado o início de jogadas, Suárez se destacou pelo comportamento sem a bola e a eficiência com ela. Esteve sempre no lugar preciso, envolvendo-se nos dois lances em que seu time poderia ter chegado ao gol.

5 – No intervalo, a tarefa de Tite era solucionar o problema de funcionamento coletivo de um ataque que não “clicou”, apesar de todos os jogadores envolvidos serem altamente capazes. O fato de Roberto Firmino ter sido um não-fator foi o principal sintoma de uma ideia que não migrou do desenho para o gramado. A princípio, essa é a questão mais urgente na preparação para a Copa América.

6 – Allan em campo (no lugar de Renato Augusto). Estreia de um jogador que o Brasil não deve querer perder para a Itália, como se deu com Jorginho.

7 – Vinte minutos de segundo tempo, e nenhuma indicação de que a seleção brasileira seria capaz de vencer por superioridade coletiva. A reunião de jogadores mais talentosos do que os oponentes poderia construir uma vitória aparentemente natural, mas fruto de méritos individuais. É um problema muito menos grave do que seria a falta de peças disponíveis, obviamente, mas dele depende boa parte do sucesso que se pretende alcançar.

8 – Sim, início de ciclo. Esse é apenas o retrato momentâneo, que deve ser registrado.

9 – Com o auxílio do assistente, e da reclamação de Neymar, o árbitro marcou um pênalti muito discutível em lance de Laxalt com Danilo, aos vinte e oito minutos. O 10 do Brasil praticamente rolou a bola para rede, construindo um placar que gera uma imagem melhor do que o desempenho da seleção.

10 – De Neymar para Richarlison, lançamento precioso para a finalização de primeira do centroavante do Everton. A bola passou ao lado do gol. Seria algo digno de satisfação.

11 – A seleção brasileira teve muito mais volume do que o Uruguai, o que evidentemente era esperado. Não há nada que sugira que Neymar, Firmino e Douglas Costa, com o suporte de Arthur e Renato Augusto, não possam articular movimentos ofensivos que superem qualquer defesa, mas, nesta sexta-feira, não foi o caso. As boas entradas de Allan e Richarlison dão a Tite mais argumentos na montagem da equipe.

12 – Deste 1 x 0 em Londres, ficou ainda uma aparência significativa: Neymar agora é o início de tudo, um jogador destinado a ter mais toques e mais incidência, o que faz sentido por sua capacidade de desequilíbrio.



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