Na mesa



Além da vaga para o Fortaleza na Série A do ano que vem e do probabilíssimo troféu de campeão, a temporada de Rogério Ceni na segunda divisão do Campeonato Brasileiro gerou um nome para o chamado mercado de fim de ano. Dirigentes pelo país afora devem se sentir mais seguros ao mencioná-lo, agora que uma amostra de trabalho está disponível, com a possibilidade de cruzar o que Ceni dizia ao assumir o time de sua vida com o que fez ao longo de 2018 no clube cearense. E ele certamente está mais confiante, de posse do certificado de conclusão do “estágio” que lhe cobraram quando o São Paulo cometeu a atrocidade de lhe cortar as asas depois de seis meses.

Não que fosse necessário, mas Ceni optou por ir para bem longe do Morumbi e “recomeçar por baixo”, como diria quem entende que o problema foi sua inexperiência e não a impaciência dos que deveriam apoiá-lo. Como estaria o São Paulo ao final do segundo ano sob direção dele? Ninguém pode afirmar, mas Diego Aguirre – cuja permanência para 2019 é debatida – é o quarto treinador a ocupar o cargo desde que o clube mostrou a porta a um de seus ídolos históricos. No Fortaleza, Ceni construiu um time que sabe ao que joga e como pretende vencer, características que destoam em um ambiente de futebol aleatório, marcado pela sobrevivência, seja como for.

Sim, é a Série B, onde a concorrência é distinta. Mas o ponto não é a comparação com a primeira divisão ou o nível de dificuldade de uma conquista que chegará cedo ou tarde. É a quantidade de obstáculos que se apresentam para a montagem de equipe num campeonato em que também há diferenças de orçamento; o trabalho necessário para a implantação e o desenvolvimento de uma forma de jogar. São notáveis nas atuações do Fortaleza as influências relatadas por Ceni ao anunciar a carreira de treinador, notícia agradável reforçada por uma campanha bem-sucedida em resultados.

Há dois anos, Ceni dizia que os clubes rivais do São Paulo não o considerariam por causa de sua identificação, cenário que lhe parecia natural. É possível que o que se deu desde então tenha alterado esse modo de pensar, especialmente pelo trauma do primeiro semestre de 2017. Se decidir por não prosseguir no Fortaleza, as questões que estarão diante de Ceni não diferirão das que se colocam para qualquer técnico: ponderar os prós e contras das ofertas que chegarem, avaliando cada oportunidade sem portas fechadas de antemão. Seu nome está na mesa, com todos os méritos.



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