Mudanças



Pedido de licença para uma coluna com sugestões ao futebol: duas alterações nas regras do jogo (situações geradoras de confusão e critérios mal compreendidos) e uma no regulamento de torneios (algo que não faz mais nenhum sentido), sempre com a melhor das intenções. O email está acima e a coluna já está disponível em blogs.lance.com.br/andrekfouri. Se tiver interesse, fique à vontade para participar da discussão por esses canais ou pelo Twitter.

1 – Uma solução para os casos de mão na bola: se tocou, é falta/pênalti. Convenhamos, ninguém está preocupado com os toques de mão fora da área, que são apitados de forma diferente, embora não devessem. Quando a questão é pênalti/não pênalti, o caos se instala por causa das diversas circunstâncias que devem ser levadas em conta pelo árbitro. Houve intenção? O defensor correu o risco? O braço estava em “posição natural”?… E demais subjetividades que nem o árbitro de vídeo é capaz de dirimir. Está na hora de acabar com elas e tornar a situação rigorosamente objetiva. Exceto nos casos em que o braço estiver colado ao corpo – lembre-se, todos os possíveis pênaltis são analisados pelo VAR, que verá – , o pênalti deve ser marcado se houver toque. Sim, o ônus é lidar com jogadores tentando “cavar” pênaltis dessa forma, um expediente que empobreceria o jogo, mas que talvez seja menos pior do que as eternas revisões de interpretação dessa regra e as dúvidas que se renovam.

2 – Uma ajuda aos casos de impedimento: vale qualquer parte do corpo. A regra do impedimento sempre constituiu uma impossibilidade para a arbitragem analógica. Exige-se que os assistentes congelem uma imagem em movimento, fixando o olhar em dois pontos distintos. Como se não bastasse, é necessário determinar, à distância, onde estão as partes do corpo do atacante com as quais ele pode tocar na bola, eliminando os braços e as mãos da equação. Em resumo, a regra foi feita para não ser viável conforme está escrita. E o que se pode fazer para colaborar com a arbitragem é descomplicá-la (um pouco): seja qual for a parte do corpo adiantada em relação ao defensor, o impedimento deve ser marcado. Fica mais fácil também para o árbitro de vídeo julgar as jogadas de gol.

3 – Um ajuste no regulamento dos torneios em mata-mata: a desqualificação do gol. A utilização do gol marcado fora de casa para desempatar confrontos é um resquício de uma época em que atuar como visitante era um suplício. Em tese, um estímulo para que times não adotassem posturas exageradamente defensivas em ambientes hostis. Na prática, com a evolução do futebol, a regra se converteu em uma espécie de convite à morte súbita de confrontos no instante em que um gol do visitante é marcado. Sem falar na bizarrice que faz de um gol contra em casa um evento decisivo, que premia o visitante por um acidente de jogo. Gols são gols, não devem ter mais peso conforme o local em que acontecem, assim como um 2 x 2 não deve valer mais do que um 1 x 1.

QUE FINAL

Boca Juniors x River Plate, a mãe de todas as finais da Copa Libertadores, já provoca debates na Argentina em torno da segurança dos torcedores. Um evento único como esse, que talvez não se repita, deveria ser um motivo para que as pessoas se reunissem pelo futebol, ao invés de ser separadas por ele. Faz tempo que não há clássicos com torcida visitante na Argentina, em clara vitória da violência sobre a capacidade de organização de acontecimentos esportivos. Foi necessária a intervenção do presidente do país, Mauricio Macri, para que as duas partidas decisivas que mobilizarão a cidade de Buenos Aires sejam realizadas com a presença de torcedores de ambos os clubes. Que as providências sejam tomadas e que o futebol prevaleça. Em uma final como essa, a única coisa a lamentar deve ser a dor da derrota eterna para um rival. Nada se pode fazer quanto a isso.



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