Correção ou vigilância?



O primeiro gol do River Plate foi legal. Mesmo que tenha sido toque de mão de Borré, houve uma carga de Jael por trás do argentino que empurrou seu braço na direção da bola. Supõe-se que a revisão – obrigatória, como em todos os gols – do lance pelo árbitro de vídeo tenha levado esses detalhes em consideração ao validar a jogada, pois o replay com o ângulo por trás da meta defendida por Marcelo Grohe é elucidativo. Entender que o 1 x 1 não pode ser usado como “moeda de troca” em relação à intervenção do VAR no segundo gol é fundamental.

A questão, claro, vai além de um lance, ou dois. Se você pensa que o VAR é um instrumento de manipulação de resultados, o problema não é o VAR, mas sua forma de pensar. Pois essa maneira de enxergar a evolução da arbitragem independe da presença da tecnologia, de assistentes ao lado dos gols e até da aplicação correta das regras do jogo em uma situação específica. Refutar a marcação do pênalti cometido por Bressan em nome de contextos como a ausência de reclamação dos jogadores do River Plate é, pior do que não compreender o papel do vídeo, crer que o recurso deve ser utilizado conforme a vontade de cada um.

Parece claro que o pênalti não seria marcado no futebol pré-VAR, mas esse argumento alcança o feito de negar duas realidades ao mesmo tempo: 1) o futebol pré-VAR não existe mais, 2) o pênalti aconteceu. Não há discussão quanto a isso, certo? Diante de tamanhas obviedades, é necessário concluir que a interferência do árbitro de vídeo, crucial para a determinação de um classificado à decisão da Copa Libertadores, foi correta. O que não significa que o protocolo do sistema não deva ser discutido com o objetivo de aperfeiçoá-lo, para que seja melhor compreendido por todos.

Por exemplo: em relação à conduta dos árbitros que operam o vídeo, a postura primordial deve ser de correção ou de vigilância? Há uma diferença sutil, porém importante, entre dizer “há um lance aqui que achamos que você deve rever” e “há um lance aqui em que sua decisão foi errada” ao árbitro de campo. Esse nível de ajuste depende do que a regra determina, mas também do que as experiências ensinam. O aprendizado, suficientemente sofrido para quem se encontra do lado triste de um jogo com uso do VAR, tem sido marcado pela esquizofrenia que exige perfeição desde o primeiro minuto.



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