Ferido



Qualquer torcedor do São Paulo com um mínimo de consciência aprovaria, no início do ano, um cenário em que o time estivesse a quatro pontos do líder, com dez rodadas por jogar no Campeonato Brasileiro. Sem pestanejar. Seria, como é, uma completa transformação de perspectiva em relação a um 2017 em que o objetivo do clube foi permanecer na Série A, além de um sinal promissor para o futuro próximo. Enfim, o reposicionamento do time no sentido que deveria ser o habitual e a base para planejar a próxima temporada com possibilidades de conquista em todas as competições do calendário.

Eis que a situação é exatamente a mencionada, mas o noticiário do clube retrata um ambiente de crise, à procura de explicações pelo declínio de desempenho e pressionado pelo descontentamento do setor da torcida que parece incapaz de relacionar a profundidade da equipe com a concorrência pelos primeiros lugares. E quem não consegue fazer essa ponderação evidentemente não enxerga a evolução de um ano para outro ou o que ela significa, porque o raio de visão só alcança a amostra das últimas rodadas. É uma leitura que converte o time em vítima de uma promessa que nunca foi feita.

Jamais existe uma única explicação para a queda técnica de um time de futebol, especialmente em uma competição extensa como o Campeonato Brasileiro. O São Paulo não perdeu terreno por causa das decisões de Diego Aguirre, das lesões de Everton, da inexperiência para se relacionar com a liderança ou da falta de foco de quem se superestima. Provavelmente há um pouco de cada fator no recorte dos sete jogos mais recentes, com apenas uma vitória e a evidência de um time esgotado em argumentos. Até mesmo a observação à distância pode identificar momentos semelhantes na trajetória da maioria das equipes, fases que duram mais ou menos conforme os recursos humanos de cada um.

A dez jogos do encerramento, é difícil imaginar o São Paulo reunindo forças para disputar o título. Se a classificação final representar um lugar entre os cinco, seis primeiros colocados, será compatível com as possibilidades do elenco atual e deveria ser recebida com o que se chama de otimismo cauteloso. Tudo indica, porém, que a conclusão percorrerá outro caminho; o da decepção e da eleição de culpados, principalmente por parte daqueles que não compreendem o jogo e/ou tiveram o orgulho ferido porque a diretoria não autorizou a realização de treinos abertos ao público.



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