Patente



Arthur errou um passe no segundo tempo do jogo de ontem, contra o Tottenham. O tipo de bola perdida na região central do campo que aumenta o risco de sofrer um gol. Não foi o primeiro equívoco do ex-gremista em sua estreia na Liga dos Campeões, mas pode-se dizer que, até aquele instante (por volta do minuto sessenta), todas as decisões tomadas por ele foram acertadas, mesmo as malsucedidas. O Barcelona recuperou um padrão de atuação que parecia esquecido ao vencer em Wembley por 4 x 2, e não há como exagerar a contribuição de Arthur.

Suponha que tivesse sido uma partida discreta, fruto da postura de quem sabe que cumprir com as próprias obrigações já seria motivo de satisfação e elogios. Mas foi bem mais do que isso. A necessidade de reencontrar o caráter futebolístico da equipe levou o técnico Ernesto Valverde a posicionar Philippe Coutinho no trio de ataque e escalar Arthur na linha de três meio-campistas, à esquerda de Sergio Busquets na fase ofensiva. À parte – se é que é possível – o jogo imperial de Lionel Messi, o funcionamento do meio de campo na circulação da bola foi o destaque da noite, aspecto em que Arthur demonstrou excelência.

Voltando ao lance no segundo tempo, a defesa do Barcelona logo recuperou a bola desperdiçada, fazendo-a chegar novamente a Arthur. Pressionado, girou um par de vezes para afastar marcadores e reiniciar a jogada. Só o próprio pode confirmar, mas Busquets provavelmente teve a sensação de já ter visto aquilo, uma das razões pelas quais Arthur é mencionado como um jogador à semelhança de Xavi, em características e função. O que está embutido na referência é que, para fazer esse papel, o desejo de receber a bola em qualquer circunstância é tão importante quanto a capacidade técnica para protegê-la e fazê-la seguir seu caminho. Arthur tem tudo.

Em Londres, Busquets e Arthur completaram sessenta e seis passes (99% e 87% de aproveitamento, respectivamente) cada um, complementando-se nas tarefas defensivas e de construção. No chamado jogo curto, foram dezesseis passes do espanhol e vinte e um do brasileiro, mais um indício de que o Barcelona encontrou uma réplica do seu “meio-campista patenteado”, um jogador que chegou ao clube aos vinte e dois anos quase como um produto final do que se ensina nas categorias de base. Os técnicos catalães devem imaginar que estão diante de um clone e calcular até onde ele pode ir. Xavi sabe.



MaisRecentes

Amanhã



Continue Lendo

Novo



Continue Lendo

Virtual



Continue Lendo